Castas Brancas
Com 345 variedades de uvas aptas para a produção de vinho, Portugal é o segundo país depois da Itália, com maior diversidade de castas, das quais 151 são brancas. Apesar desta variedade apenas 17 castas brancas ocupam 30% da área total de vinhas plantadas. Especialistas têm alertado para a necessidade de preservar este vasto património, para que não se perca toda a diversidade de castas que caracteriza e distingue o vinho português. Face à sensibilização e alerta dado por vários estudiosos, estão a ser tomadas medidas para a recuperação e preservação das castas autóctones, e uma nova mentalidade está a surgir.
Alvarinho
A Alvarinho, é uma das variedades portuguesas mais admiráveis, originária do noroeste peninsular. Dá corpo a vinhos únicos e facilmente identificáveis, de personalidade e temperamento forte. É uma casta vigorosa, que obriga a alguma prudência no controlo do ímpeto vegetal, sendo, porém, uma casta pouco produtiva, com cachos pequenos e elevada proporção de grainhas. Historicamente, foi uma das primeiras variedades portuguesas a ser engarrafada em estreme, responsável pelo sucesso dos vinhos da sub-região de Monção e Melgaço.
O Alvarinho proporciona vinhos com elevado potencial alcoólico, perfumados e delicados, com notas aromáticas díspares de pêssego, limão, toranja, maracujá, ananás, lichia, casca de laranja, jasmim, flor de laranjeira e erva-cidreira, entre outros. Tem um enorme potencial de envelhecimento, conseguindo viver em perfeita saúde até completar, pelo menos, dez anos de idade.
Combina particularmente bem com a cozinha, tailandesa, marroquina e indiana, e com pratos de mar.
Sinonímia: Alvarinha, Cainho Branco, Galego, Galeguinho (Ponte de Lima)
Fonte: Wines of Portugal, Vine to Wine Circle

Antão Vaz
A Antão Vaz é umas das variedades mais valorizadas do Alentejo, até há pouco quase exclusiva da zona da Vidigueira. É uma casta consensual, rústica, mas bem adaptada ao clima quente e soalheiro da grande planície, consistente e produtiva, amadurecendo de forma previsível e homogénea. Apresenta cachos volumosos e medianamente compactos, com bagos grandes e de película dura.
Por regra, dá origem a vinhos estruturados, firmes e encorpados. Os vinhos estremes anunciam aromas exuberantes, com notas de fruta tropical madura, casca de tangerina e sugestões minerais, estruturados e densos no corpo. Quando vindimada cedo, proporciona vinhos vibrantes no aroma, temperados por uma acidez firme. Se deixada na vinha, pode atingir um grau alcoólico elevado, tornando-a numa boa candidata ao estágio em madeira. É, regularmente, associada com as castas Roupeiro e Arinto, que lhe acrescentam uma acidez refrescante.
Sinonímia: António Vaz
Fonte: Wines of Portugal

Arinto
A Arinto é uma casta versátil, presente na maioria das regiões vitícolas portuguesas, sendo reconhecida pelo nome Pedernã na região dos Vinhos Verdes. Estudos de ADN indicam que poderá ser originária da região norte de Lisboa migrando depois para todas as regiões vitivinícolas.
Proporciona vinhos vibrantes e de acidez viva, refrescantes e com forte pendência mineral, e elevado potencial de guarda. A acidez firme será o principal cartão-de-visita da casta Arinto, garantindo-lhe a adjetivação de casta “melhorante” em muitas regiões portuguesas. Se em Bucelas a casta atinge o zénite, é no Alentejo e Ribatejo que a sua assistência é mais frutuosa, pelo aporte de acidez tão indispensável e difícil de obter.
Apresenta cachos de tamanho médio, compactos e com bagos pequenos. É uma casta relativamente discreta, sem aspirações particulares de exuberância, privilegiando os apontamentos de maçã verde, lima e limão. É frequentemente utilizada na produção de vinhos de lote e também de vinho espumante.
Sinonímia: Arinto de Bucelas, Arinto Cachudo, Arinto Galego, Arintho, Chapeludo (Castelo de Paiva e Cinfães), Pedernã (Vinho Verde), Pedernão (Douro), Val de Arintho
Fonte: Wines of Portugal, Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Arinto dos Açores
Fresco, mineral, muito salino e com boa acidez o Arinto dos Açores é a casta mais importante do arquipélago. É uma casta autóctone e única no mundo, desconhecendo-se até ao momento a sua origem, no entanto, recentes estudos apontam para que seja descendente da casta Verdelho.
É, das três castas tradicionais cultivadas no Pico, a mais resistente às intempéries, evidenciando maior capacidade de produção aliada a uma qualidade enológica semelhante ou até superior à do Verdelho.
Sinonímia: Arinto do Pico, Terrantez da Terceira, Terrantez

Avesso
A casta Avesso é cultivada na região do Vinho Verde, contudo a sua plantação concentra-se próxima da região do Douro, especificamente nas sub-regiões de Baião, Resende e Cinfães e pensa-se que o seu cruzamento natural tenha ocorrido em Baião. Nessas sub-regiões a casta avesso encontra as condições favoráveis para se desenvolver, uma vez que prefere solos mais secos e menos férteis do que aqueles que habitualmente existem noutras zonas da região do Vinho Verde.
Os cachos da casta Avesso são de tamanho médio e os seus bagos são grandes e verde-amarelados.
Esta casta origina vinhos aromáticos, bastante saborosos e harmoniosos. As qualidades da casta Avesso são verdadeiramente apreciadas quando as condições de maturação permitem elaborar vinhos com, pelo menos, 11% de álcool. O aroma é de intensidade média e pode fazer lembrar fruta de caroço e até um leve tropical. Tem potencial para vinho monocasta ou de lote e é muitas vezes combinada com castas como a Arinto e a Fernão Pires.
Sinonímia: Bornal, Borraçal Branco
Fonte: Infovini, “As castas do vinho” de João Afonso

Azal
A casta Azal é uma casta de qualidade cultivada na região do Vinho Verde, principalmente nas sub-regiões de Penafiel, Amarante e Basto. No início do século XX, era a principal casta para a produção do vinho branco da região.
Os cachos da Azal Branco são de tamanho médio e constituídos por bagos grandes de disposição compacta. É uma casta muito produtiva, de maturação tardia e os seus bagos apresentam uma cor esverdeada mesmo no final de maturação.
Os vinhos que possuem a casta Azal na sua composição apresentam aromas frutados de mediana intensidade a frutos cítricos e a maçã verde e ácida. São vinhos bastante acidulados, por isso são raros os varietais de Azal Branco.
Sinonímia: Azal Branco, Azal da Lixa, Gadelhudo
Fonte: Infovini, “As castas do vinho” de João Afonso

Bical
Especialmente presente na região das Beiras, de onde terá sido originária nas denominações da Bairrada e Dão, a casta Bical é por vezes designada por “Borrado das Moscas” devido às pequenas manchas castanhas que aparecem com o amadurecimento.
Na vinha é uma casta precoce e embora apresente uma boa acidez e frescura quando colhida no momento certo, se colhida demasiado tarde pode tornar-se demasiado alcoólica e com pouca acidez. Apesar de muito resistente à podridão, é peculiarmente sensível ao oídio.
Os vinhos resultantes são especialmente macios e aromáticos, frescos e bem estruturados. As notas de pêssego, damasco e ameixa branca são os traços aromáticos mais distintivos, acompanhadas por vezes, e nos anos mais maduros, por discretas e sensuais notas de fruta tropical.
A casta apresenta excelentes resultados quando estagiada em madeira, sobretudo quando em contacto prolongado com as borras. Com o tempo em garrafa tendem a desenvolver aromas petrolados.
Na Bairrada a casta Bical é muito utilizada na produção de espumante, sendo frequentemente combinada com a casta Arinto.
Sinonímia: Arinto de Alcobaça (Ribatejo e Alentejo), Borrado das Moscas, Pintado dos Pardais (Leiria, Alcobaça, Ribatejo)
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Cerceal Branco
A Cerceal Branco é uma casta autóctone portuguesa que terá tido a sua origem nas regiões do Douro e do Dão. É um cruzamento natural entre as castas Malvasia Fina e Tinta Pereira.
A Cerceal Branco é uma casta com boa adaptação às diferentes características edafo-climáticas do Norte de Portugal (Beiras e Trás-os-Montes), e é de elevado vigor e produtividade.
Produz um vinho de cor citrina, com aroma frutado, vívido, de acidez vibrante, levemente encorpado e com um final harmonioso e equilibrado.
Sinonímia: Cerceal do Douro, Cercial do Dão
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Cercial
A Cercial é uma casta autóctone de Portugal cultivada em diversas regiões vitivinícolas com especial destaque para a região da Bairrada. Nasce de um cruzamento natural entre a Sercial e a Malvasia Fina.
O nome desta casta tem provocado muita confusão, com outras variedades de nome semelhante. É diferente da Cerceal-Branca e da Sercial com quem vulgarmente é confundida. A única característica comum é o elevado grau de acidez.
É uma casta que requer cuidados especiais pois apodrece com facilidade. É aromaticamente delicada, elegante, com acidez vibrante e grande capacidade de envelhecimento. Quando jovem é aromaticamente um pouco fechada, mas com o tempo em garrafa desenvolve aromas muito precisos. Tem aptidão para estágio em barrica e adquire aromas de favos de mel com o envelhecimento.
Sinonímia: Cercealinho, Sercealinho
Fonte: Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Chardonnay
Originária da região vinícola da Borgonha, da aldeia de Chardonnay, no leste da França, é a uva branca mais cultivada em todo o mundo. Considerada a rainha das uvas brancas é uma casta muito versátil e que se adapta a qualquer clima tendo ótimo rendimento.
As suas características permitem a produção de uma vasta gama de vinhos brancos e também elegantes e delicados espumantes. Segundo a análise do ADN, trata-se de um híbrido entre a Gouais Blanc e a Pinot Noir. É apreciada pela sua elegância e pela diversidade dos seus aromas.
Plantada num clima quente, produz vinhos ricos com aromas de fruta madura e sabores tropicais. Em climas mais frios, produz vinhos minerais vivos, e expressa aromas de maçã, limão, pera e toranja, bem como gostos terrosos. Em climas temperados, produz vinhos carnosos e mais flexíveis e os seus aromas são principalmente os de frutos brancos, tais como citrinos e pêssego.
É um dos poucos vinhos brancos que aceita bem o envelhecimento em carvalho apresentando notas diferentes como creme, baunilha ou manteiga.

Códega de Larinho
Cultivada no norte de Portugal, em particular na região de Trás-os-Montes terá nascido no Douro ou em Trás-os-Montes.
Dá origem a vinhos de boa complexidade, frutados (frutas tropicais) e florais, nem sempre de suficiente frescura dada a sua escassa acidez, mas com um excelente perfil aromático e grande persistência, pelo que é recomendado o seu uso em misturas com outras cepas.
Sinonímia: Côdega Larinho

Encruzado
A sua zona de influência restringe-se ao Dão, apresentando-se como um dos valores seguros da enologia portuguesa, uma das raras castas brancas de qualidade irrepreensível.
É uma casta produtiva, sem contrariedades de monta, perfeita para a composição de vinhos estremes ou, em alternativa, para abrilhantar muitos dos lotes do Dão. Quando jovem é pouco expressiva. A sua complexidade e elegância chegam com o tempo em garrafa.
Quando bem trabalhada na vinha e adega, apresenta aromas delicados a rosas e violetas, leves notas citrinas, um pouco de resina e, em determinadas condições, notas minerais intensas.
Entre as suas maiores virtudes inclui-se uma capacidade única para manter um equilíbrio quase perfeito entre açúcar e acidez, proporcionando vinhos sérios e estruturados, untuosos e com uma extraordinária capacidade de guarda.
Sinonímia: Salgueirinho
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Fernão Pires
A Fernão Pires, chamada de Maria Gomes na região da Bairrada, é uma das castas brancas mais plantadas em Portugal, ocupando uma mancha regular que se estende por todo o país, embora seja nas regiões do Tejo, Lisboa e Bairrada que assuma maior protagonismo.
Nasce de um cruzamento natural entre a Malvasia Fina e de outra casta desconhecida. A produtividade elevada, bem como a versatilidade, precocidade e riqueza em compostos aromáticos, ajudam a explicar a sus popularidade.
Por ser uma casta muito plástica é utilizada igualmente em estreme e lote, aceitando ainda a espumantização e a vindima em colheita tardia, para a obtenção de vinhos doces.
Por regra, os vinhos de Fernão Pires devem ser bebidos jovens. Sensível às geadas, prefere os solos férteis, de clima temperado ou quente.
Os descritores aromáticos que lhe estão associados alternam entre a lima, limão, ervas aromáticas, rosa, tangerina e laranjeira.
Para além de Portugal, a casta Fernão Pires tem sido plantada com algum sucesso na África do Sul e Austrália.
Sinonímia: Fernam Pires, Fernão Pires do Beco, Gaeiro (Oeste), Maria Gomes (numa parte da Bairrada), Molinho (Setúbal)
Fonte: Wines of Portugal

Fonte Cal
A casta Fonte Cal é originária da Beira Interior, da zona de Pinhel, região onde as suas qualidades se evidenciam de forma mais explícita.
É uma casta medianamente produtiva, de maturação tardia e grande vigor vegetativo, apresentando cachos médios e muito compactos, com bagos verde-amarelados, proporcionando vinhos de graduações alcoólicas elevadas.
Nos raros vinhos estremes produzidos a partir da casta, dominam os aromas florais e frutados, permitindo a composição de vinhos estruturados e densos, com algum potencial de envelhecimento em garrafa a que, infelizmente, por regra, falta o suporte de acidez. Por essa razão, a casta Fonte Cal é utilizada maioritariamente como casta de lote, acompanhada pela casta Arinto.
Sinonímia: Fonte da Cal, Rabigata
Fonte: Wines of Portugal

Galego Dourado
A sua origem e progenitura são desconhecidas, mas o seu nome sugere um parentesco com Espanha.
Esta casta, provavelmente com um grande passado e com características enológicas prometedoras, foi abandonada devido a suscetibilidade às doenças criptogâmicas. Tem pouca expressão na região onde está classificada, Baixo Tejo e Litoral, mas que não pode ser omitida dada a sua posição de destaque na produção do famoso e raro Vinho de Carcavelos.
Produz vinhos de elevado teor alcoólico, acidez viva e elegante, alguma mineralidade, redondos, aromáticos e de grande qualidade.
Nos vinhos tranquilos apresenta notas citrinas e de erva cortada.
Nos vinhos fortificados destaca-se as notas de amêndoa torrada, baunilha, caramelo e cravinho.
Sinonímia: Assario, Carcavelos, Dourada, Galego (Alentejo), Olho de Lebre (Azeitão)
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Gewürztraminer
Gewürztraminer é uma casta de uva originária da região da Alsácia, França. Esta região produz alguns dos melhores exemplares destes vinhos secos, mas perfumados e encorpados até àqueles que ostentam doçura, especiarias e aromas opulentos.
Os toques picantes destes vinhos explicam a sua denominação, pois “Gewürz” significa “tempero” em alemão. Na altura das vindimas as uvas Gewürztraminer têm uma cor rosada que originam um vinho dourado muitas vezes com uma tonalidade acobreada.
Tem aromas a especiarias doces, rosas, líchias, gengibre e notas de toranja e pêssego branco.
Se gostar de vinhos brancos sem uma acidez evidente esta é uma boa escolha já que estas uvas originam vinhos ricos e redondos.
É uma casta excelente para harmonizar com comida tailandesa, pratos indianos aromáticos, vietnamitas, chineses, basicamente pratos com um “ataque” suave e médio de malagueta.

Gouveio
Profícua no Douro, a casta Gouveio encontra-se hoje disseminada por todo o território continental. É uma casta ibérica que terá tido a sua origem nas encostas do rio Sil na Galiza e resulta de um cruzamento natural entre as castas Castellana Blanca e Savagnin Blanc. Durante anos foi catalogada erradamente como Verdelho, condição que conduziu a algum desacerto entre as duas nomenclaturas.
É uma casta produtiva e relativamente temporã, medianamente generosa nos rendimentos, sensível ao oídio e às chuvas tardias, com cachos médios e compactos que produzem uvas pequenas de cor verde-amarelada. Por ser uma casta naturalmente rica em ácidos, que proporciona vinhos frescos e vivos, a sua difusão a Sul, sobretudo ao Alentejo, tem sido frutuosa e célere.
Dá origem a vinhos de acidez firme e boa graduação alcoólica, encorpados, de aromas frescos e citrinos, com notas a pêssego, anis e funcho, com bom equilíbrio entre acidez e açúcar. Desfruta de boas condições para apresentar um bom envelhecimento em garrafa. Uma das melhores castas ibéricas.
Sinonímia: Godello, Prieto Picudo Blanco, Verdelho do Dão
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Grüner Veltliner
É a casta autóctone de vinho branco mais importante da Áustria. Tornou-se a mais plantada nos anos 50 e atualmente é a casta dominante. A nível internacional, a Grüner Veltliner é cada vez mais cultivada na República Checa e na Eslováquia, na Hungria e, depois, em pequenas áreas na Alemanha e no Novo Mundo, como em Oregon, Washington, Austrália e também na Nova Zelândia. É uma variedade de uva flexível e fácil de manusear, mas é necessária experiência e sensibilidade para obter uma elevada qualidade. Desenvolve-se idealmente em solos medianamente pesados e ricos em nutrientes, razão pela qual a vinha é plantada na região de Wachau em zonas planas ou no sopé de encostas.
A característica mais distintiva destes vinhos é a sua mineralidade e acidez vibrante. Dá origem a vinhos de vários estilos, desde os mais frescos e leves com sabores cítricos apimentados aos mais ricos, complexos e estruturados que muitas vezes têm estágio em barrica e apresentam mais sabores a frutos tropicais. A Grüner Veltliner reflete o seu terroir de forma precisa.
Os aromas de Grüner Veltliner, leves e frutados, fazem lembrar citrinos limão, lima, toranja, mas também maçã e flor de laranjeira e ervas do prado. Os aromas de fruta de pomóideas são normalmente um pouco mais frescos, como maçã verde e pera. Aromas picantes de anis, noz-moscada, pimenta branca, espargos e erva.
As versões de peso médio mostram frequentemente os aromas mais sumarentos de frutos de caroço e de pomóideas como maçãs amarelas, peras maduras, marmelos, alperces e pêssegos. Um pouco mais doces notas de melão, ananás e nuances florais são típicas. Muitas vezes, os mais característicos são os vários aromas de especiarias e aromas de ervas ou vegetais verdes, que lembram chá verde, feno, aipo ou feijão verde e ervas. Muito proeminentes são as nuances que se descrevem com mineralidade ou salinidade, incluindo amêndoas torradas e amêndoas salgadas. As notas de pimenta são também muito típicas dos Veltliners de peso médio.
Os Grüner Veltliners da gama Reserva ou Smaragd caracterizam-se normalmente por uma textura encorpada e uma intensidade elevada. Os aromas são versáteis, transmitindo frequentemente uma intensa mineralidade fumada, associada ao tabaco, à grafite e pedra húmida. Muitas vezes também se encontram aromas tropicais de romã, manga, ananás, papaia, lichia e maracujá. São completados por notas doces e cristalizadas de nozes, laranjas, figos secos e maçãs, chá de camomila, mel e cera de abelha.
Fonte: Domäne Wachau, Austrian Wine

Loureiro
Apesar de estar hoje amplamente disseminada pela região do Vinho Verde, aparenta ser originária do vale do rio Lima, local onde atinge a sua plenitude, no entanto há quem defenda que em tempos idos a casta ocupava uma boa parte do vale do rio Minho que hoje é quase exclusiva da casta Alvarinho.
A casta Loureiro, é uma variedade muito fértil e produtiva que só recentemente assumiu o papel de casta nobre. Propicia cachos compridos e medianamente compactos, com bagos médios de cor amarelada ou esverdeada.
Apropriadamente, a flor de Loureiro é um dos seus principais descritores aromáticos, caracterizando-se ainda pela personalidade floral particularmente cristalina, com ênfase na flor de laranjeira, acácia e tília, sendo as notas de maçã e pêssego relativamente comuns nos vinhos estremes. Com algum tempo em garrafa desenvolve complexidade, aromas fumados e por vezes geleia e sugestão de mel.
Por regra consagra vinhos de acidez equilibrada e bem proporcionada. Se hoje é frequente espreitá-la em vinhos estremes, a tradição confere destaque aos lotes com a casta Trajadura ou, mais amiúde, com as castas Arinto e Alvarinho.
Sinonímia: Loureira
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Malvasia Cândida
A casta Malvasia-Cândida foi a primeira a ser plantada na ilha da Madeira e apesar de se pensar ser originária da Grécia, recentes análises não suportam essa possibilidade. É uma casta comum a toda a região vitícola mediterrânica sendo conhecida em Itália por Malvasia di Lipari. Quase extinta, na Madeira é plantada nas freguesias de Fajã dos Padres e São Jorge. Geralmente encontra-se desde o nível do mar até os 200 metros de altitude.
A Malvasia-Cândida foi desde sempre tratada com muito esmero e cuidado pois produz pouco e é muito atreita a doenças criptogâmicas. Os seus vinhos são muito apreciados e cobiçados e alguns exemplares atingem preços astronómicos em leilões.
O vinho da Madeira da casta Malvasia-Cândida produzido pelos padres jesuítas no século XVIII é considerado o rei dos vinhos de toda a produção de vinhos Madeira.
Os “Malvasia” ou “Malmsey” da Madeire têm um bouquet único e excecional. É descrito por muitos como sol líquido, devido à sua tonalidade, uma espécie de topázio dourado que faz sobressair a densidade do seu carácter já de si bastante atraente. É portador de um sabor inebriante, que permanece delicioso e é muito difícil de conseguir saborear outro igual.
Para além destes vinhos a casta produz um famoso “passito” no arquipélago de Lipari, ao norte da Sicília, para além de outros “passito” em Itália e no Penedès espanhol, bem como vinhos secos na Croácia.
Sinonímia: Malvasia Dubrovacka, Malvasia de Lipari
Fonte: IVBAM, “As castas do vinho” de João Afonso

Malvasia de São Jorge
A casta Malvasia de São Jorge, encontra-se maioritariamente na costa norte da ilha da Madeira, entre os 150 a 350 metros de altitude. A maior parte da Malvasia que cresce na ilha é de Malvasia-de-São Jorge.
Dá origem a mostos de teor alcoólico médio e acidez elevada. Independentemente da sua maturação é uma casta que tem sempre boa acidez.
Os seus vinhos têm aromas herbáceos do tipo chá verde combinados com evidentes notas florais.
Esta casta produz vinhos Madeira no estilo doce, sendo entre os Madeiras, os que apresentam maior riqueza e untuosidade. Não tem qualquer relação com a premiada Malvasia Cândida, introduzida na Madeira no século XV.
Sinonímia: Malvasia
Fonte: IVBAM, “As castas do vinho” de João Afonso

Malvasia Rei
Provavelmente, a Malvasia Rei, foi introduzida na sua zona de maior distribuição (Jerez de La Frontera) pelos navegadores comerciantes gregos. De facto, esta casta ibérica ainda existe na ilha de Chipre.
No último milénio foi importada para Portugal, devido à sua excelente produtividade. A região de maior expansão é Jerez de la Fronteira em Espanha sendo muito utilizada para a produção de vinho Xerez e onde é chamada de Palomino Fino.
Em vinho oxidado como o Xerez, é de elevada composição aromática e com grande capacidade de envelhecimento na barrica e na garrafa. Com fermentação a baixa temperatura, pode originar vinhos de cor clara, com estrutura aromática excecional. No caso do vinho tipo Xerez, apresenta-se limpo e delicado, ou com sabor de avelã, ou então, corpulento e untuoso.
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural

Moscatel Galego Branco
As videiras da família Moscatel devem ser as mais antigas conhecidas pelo Homem. Suspeita-se de que foram difundidas pelos Fenícios, Gregos e Romanos, por toda a Europa (Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália e Grécia). Em Portugal surge preferencialmente na região do Douro, entre os 500 e os 700 metros altitude, nas freguesias de Favaios, Alijó (planalto de Alijó) e Sanfins do Douro.
É uma casta particularmente aromática, com aromas florais, cítricos e a uvas. Chega a níveis elevados de açúcar quando amadurecida e é ideal para fazer vinhos fortificados. O Moscatel tem numerosas variantes em todo o mundo.
O Moscatel Galego Branco (Muscat Blanc à Petits Grains), o tipo encontrado no Douro, é reconhecido mundialmente como o mais elegante e perfumado da família, embora a elegância também dependa da localização e gestão da vinha, e da forma como o vinho é feito.
Esta casta pode dar origem a diferentes estilos de vinhos. Os vinhos secos varietais apresentam uma enorme variedade de frutas cítricas, florais e aromas de especiarias, com um paladar seco e cheio. Os espumantes são mais doces, enquanto os vinhos de sobremesa são produzidos como vinhos doces naturais.
Laranja, tangerina, flor de laranjeira, tília e rosa são alguns dos descritores aromáticos. Com a idade e o envelhecimento em barrica desenvolvem aromas mais complexos de tâmaras, mel, tarte de laranja, tostados e balsâmicos, entre outros. Nos vinhos velhos aparecem aromas de nozes, amêndoas, avelãs, baunilha, caramelo, tabaco, entre outros, sem nunca perder os aromas primários, cítricos e florais, características da casta.
Sinonímia: Moscatel Branco (Chaves), Moscatel do Douro (Setúbal), Moscatel Grano Menudo (Espanha), Moscatel Castellano (Espanha), Muscat à Petits Grains Blanc (França) , Muscat de Frontignan (França, África do Sul, EUA, Chile), Brown Muscat (Austrália), Gelber Muskateller (Alemanha), Bela Dinka (Hungria), Moscato Spinas (Grécia), Muscat du Valais (Suiça)
Fonte: Wine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Moscatel Graúdo
Muito conhecida com o nome de Moscatel de Alexandria, é originária do mediterrâneo oriental, provavelmente da Grécia, tendo sido introduzida no território nacional durante o período das invasões ibéricas pelo Império Romano. Resulta do cruzamento natural entre a casta Heptakilo e a Muscat à Petit Grains. Em Portugal é plantada na região vitícola de Setúbal, mas a sua presença em Espanha é dez vezes superior. Atualmente é plantada em todo o mundo vitícola nomeadamente França, Austrália, Norte de África, África do Sul, Chile e Estados Unidos da América. Por ser a casta que apresenta maior concentração de compostos aromáticos, a sua identificação em prova cega é fácil e intuitiva, porém, se não for devidamente domada, pode mostrar-se demasiado entusiástica e excessiva nos vinhos de mesa.
É frequentemente descrita como uma casta feminina, vagueando aromaticamente entre as notas de passas de uva, limão, lichia, pera e tília. Nos vinhos generosos, sempre que consegue preservar a acidez, proporciona vinhos memoráveis, entre os quais se incluem os “Moscatel de Setúbal”, com notas de casca de laranja, tarte de laranja, mel, especiarias, iodo, flor de laranjeira, rosa e acácia. Nos vinhos velhos podem surgir notas de tabaco, caramelo, nozes e outros frutos secos.
Sinonímia: Moscatel de Setúbal (Portugal), Moscatel Branco (Argentina), Muscat d’Alexandrie (França), Moscatel de Málaga (Espanha), Gordo (Espanha, Austrália), Muscat de Kelibia e Albillo di Toro (Tunísia), Angliko (Grécia), Hanepoot (África do Sul), Zibibbo (Itália)
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Perrum
Não se conhece a origem desta casta que geneticamente está próxima da Pedro Ximenez da região da Andaluzia e cuja presença é residual em Portugal. Aparece apenas nas vinhas antigas do Alentejo e Algarve.
Os vinhos têm uma cor citrina aberta, com aroma frutado, medianamente intenso, mas persistente. Ao sabor mostram algum acídulo, são estruturados e apresentam um equilíbrio marcado. Apresenta uma composição aromática mineral, muito apreciada na sua região especialmente em grandes vinhos de blend.
Sinonímia: Perruno, Perruna
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Rabigato
De origem duriense, a casta Rabigato estende-se por todo o Douro Superior. Por erro, no passado foi relacionada com a casta Rabo de Ovelha, variedade com a qual não aparenta qualquer semelhança, e que de forma igualmente errónea, perfilhou a designação Rabigato na região do Vinho Verde.
Os vinhos oferecem acidez viva e bem equilibrada, boas graduações alcoólicas, frescura e estrutura, características que a elevaram ao estatuto de casta promissora no Douro. Apresenta cachos médios e bagos pequenos, de cor verde-amarelada. Poderá, nas melhores localizações, ser vinificada em estreme, oferecendo notas aromáticas de acácia e flor de laranjeira, sensações vegetais e, tradicionalmente, uma mineralidade atrevida. É a boca, porém, que justifica a sua reputação, com uma acidez mordaz e penetrante, capaz de rejuvenescer os brancos do Douro Superior.
Sinonímia: Rabo de Gato, Baldoeira, Carrega Besta
Fonte: Wines of Portugal

Rabo de Ovelha
Casta autóctone Portuguesa, tradicional da região do Alentejo, está presente em quase todas as sub-regiões, onde no passado teve grande importância. Provavelmente teve origem no sul da Península Ibérica.
É uma casta muito robusta e produtiva. Origina vinhos ricos em ácidos e não muito alcoólicos. Por essa razão é usada em vinhos de lote com castas de menor acidez.
Os vinhos, de tons cítricos ligeiros, são medianamente aromáticos. Na boca são macios, levemente acídulos e com algum frutado.
Sinonímia: Médoc (Douro), Rabigato (Vinhos Verdes), Rabigato dos Vinhos Verdes, Fernan Piriz (Espanha)
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural

Riesling
A casta Riesling terá tido a sua origem na região de Rheingau, na margem direita do Reno na Alemanha. E, é a Alemanha que produz a maior variedade de vinhos Riesling do mundo, particularmente na região de Mosel – Saar – Ruwer, de onde são originários alguns dos mais famosos exemplares do mundo. A Alsácia (França) e a Áustria também são prestigiados produtores de Riesling, de qualidade semelhante aos alemães.
Para além das suas regiões naturais, esta casta é plantada em quase todas as regiões vitícolas do mundo. A variedade da uva Riesling adapta-se bem quer a climas quentes ou frios, mas é nos climas frios que mostra mais elegância.
Os seus vinhos têm vários graus de doçura, desde o seco ao muito doce dos vinhos de colheita tardia. Espumantes desta casta são muito apreciados. São vinhos de alta qualidade que evoluem muito bem ao longo dos anos. Muito aromáticos, são caracterizados pela sua frescura vivacidade e acidez.
O Riesling “típico” tem uma cor amarelo-pálido com tendência para o amarelo-esverdeado, o aroma é dominado por pêssego ou maçã, e na boca sente-se uma acidez picante. Aromas de limão e lima também podem ser percebidos. Diz-se que os Rieslings de solos de ardósia têm uma nota mineral, alguns vinhos cheiram a pederneira e os vinhos envelhecidos têm frequentemente notas petroladas muito interessantes. Aromas a gengibre, cera de abelha ou mel também podem ser encontrados nos Riesling com mais idade.
A casta Riesling tem uma gama imensa de aromas consoante o seu terroir. Nas regiões vitícolas mais quentes, aparecem aromas de frutos exóticos como o ananás ou o maracujá. Aromas florais e vegetais também podem ser encontrados.
Em termos gastronómicos é um vinho muito versátil. Um Riesling seco combina muito bem com pratos de mar, pratos de peixe com molhos leves, pratos de carnes leves e queijos suaves. Os Riesling secos com mais idade ficam bem com pratos mais estruturados como aves assadas no forno. Os Riesling meio-doces são maravilhosos para harmonizar com pratos da cozinha asiática pois o açúcar residual destes vinhos vai acalmar o picante. Alimentos com muito sal, como queijos curados, também são ótimos para harmonizar com os Riesling de estilo meio-seco. E, os vinhos de colheita tardia, são sublimes com foie gras, queijos azuis ou tartes de frutas e sobremesas de caramelo.
Fonte: Deutscheweine Weininstitut

Sauvignon Blanc
Originária da região de Bordéus encontrou a sua popularidade no Vale do Loire, em particular, nas apelações de Sancerre e Pouilly Fumé que são as mais prestigiadas e as que produzem os vinhos mais puros da casta.
Apesar de se adaptar melhor a climas mais frios é atualmente das uvas mais cultivadas em todo o mundo, em grande parte porque consegue manter o aroma e o sabor que lhe são peculiares independentemente do lugar onde são plantados.
É uma uva delicada e elegante com aromas de frutas como o abacaxi, o pêssego, o maracujá, a manga, a groselha, o melão e a lima além de aromas tipicamente herbáceos. Se for vindimada precocemente pode ter um aroma a “chichi de gato”. Este famoso descritor não é propriamente o de cheiro de urina, mas sim um aroma de caráter vegetal próprio de algumas plantas e arbustos, como por exemplo o arbusto da groselha, e que deriva de compostos orgânicos (os tióis) que contém enxofre.
A Sauvignon Blanc proporciona vinhos com acidez, mineralidade e frescura aromática. Em climas mais quentes os aromas a fruta madura e exótica são mais pronunciados. Encontrou o seu segundo lar na Nova Zelândia que popularizou esta casta.
A acidez do vinho combina muito bem com legumes, ervas verdes e pratos vegetarianos mais gordurosos. A harmonização clássica do Vale do Loire é com queijo de cabra. Sugerimos que experimente com carnes brancas como frango, costeleta de porco e peru, pratos de peixes incluindo robalo, linguado, bacalhau ou pargo, e com mexilhões, caranguejo, lagosta ou amêijoas.

Sercial
Sercial é uma casta autóctone portuguesa também conhecida pelo nome de Esgana-Cão. É uma das castas portuguesas mais antigas ou mesmo a mais antiga. A sua origem poderá ter sido Bucelas (Lisboa) ou até mesmo o Douro, mas é na Madeira que atinge o seu protagonismo.
Do ponto de vista enológico é interessante pela sua elevada acidez. Em zona quente, apresenta uma acidez mineral e cítrica, com excelente potencial de envelhecimento, aromas nobres, de frutos verdes e notas minerais.
A principal finalidade desta casta é o melhoramento de outros vinhos de insuficiente acidez por isso é costume lotear a Sercial com outras castas. São recomendadas para blend as castas: Bical, Boal, Malvasia Fina, Rabo de Ovelha, Síria, Trincadeira das Pratas.
Atualmente é quase plantada exclusivamente na Ilha da Madeira. Produz o famoso vinho generoso Sercial da Madeira, um vinho seco que depois de envelhecer adquire características excecionais.
Sinonímia: Esgana Cão, Esganinho, Esganoso de Penafiel e de Castelo de Paiva (Vinho Verde), Esgana (Bucelas), Sarcial, Serceal, Uva Cão (Dão), Cachorrinho (Dão)
Fonte: Vida Rural, Vine To Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Síria
A casta Síria evidencia uma distribuição geográfica peculiar, permanecendo no interior do país, alongando-se numa faixa estreita que corre de Norte a Sul, sempre junto à raia espanhola. A primeira referência á casta ocorreu em Espanha com o nome de Ciguente. Em Portugal, é difícil precisar a sua origem ainda que seja em Pinhel (Beira Interior) que a sua diversidade genética é mais elevada.
As sinonímias regionais abundam, mas é sob o designativo regional alentejano, Roupeiro, que a casta é mais reconhecida, apresentando-se como a casta branca mais plantada no Alentejo.
É uma casta produtiva, de cachos e bagos pequenos, entusiasmante nos aromas primários, oferecendo muita laranja, toranja e limão, sugestões de pêssego, melão, loureiro, tília, acácia e flores silvestres. Na boca é equilibrado, fresco e macio.
Infelizmente tem tendência para oxidar rapidamente, perdendo a exuberância aromática inicial e obrigando a um consumo rápido. As terras altas e frescas das Beiras são-lhe mais favoráveis que o calor do Ribatejo e Alentejo, ganhando uma dimensão particular na zona de Pinhel, região de excelência da casta.
Sinonímia: Alva (Cova da Beira, Portalegre), Alvadourão (Dão), Álvaro de Sousa (Douro), Côdega (Beira Interior), Códega (Douro), Crato Branco (Algarve), Dona Branca (Bucelas), Malvasia Grossa, Roupeiro Cachudo, Roupeiro (Alentejo), Doña Blanca (Orense, Espanha), Ciguente (Extremadura, Espanha), Malvasia (Toro, Espanha)
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Tália
A Tália é uma casta de origem italiana provavelmente introduzida pelos romanos. Está espalhada por todos os países vitícolas. Em Portugal a região com mais expansão é na região do Tejo. Os seus nomes populares são Douradinho na região do Vinho Verde e Branquinha na região do Tejo.
Os vinhos desta casta apresentam-se claros e com ligeiros tons citrinos, com um aroma de vinho jovem, fresco, fino e equilibrado, onde sobressaem notas de frutos verdes pouco maduros e de citrinos. Ao sabor, os vinhos desta casta mostram algum acídulo, com características frutadas e de juventude marcantes, mas o vinho tem tendência a envelhecer rapidamente e perder toda a sua qualidade.
Sinonímia: Douradinho (Vinhos Verdes), Branquinha (Ribatejo), Ugni Blanc, St. Emilion des Charentes, Clairette de Afrique, Roussane (França), Trebbiano de Toscana, Castelli Romani, Passarena, Procanico (Itália), St. Emilion (EUA)
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural

Terrantez
É uma casta rara que quase desapareceu do continente português onde é conhecida pelo nome de Folgazão. Uma das razões para a sua quase extinção foi a grande tendência que a casta tem para a podridão não resistindo muitas vezes até á época da vindima. Provavelmente é originária da metade norte interior de Portugal, no Dão ou talvez no Douro, mas dada a sua sinonímia é mais uma casta ibérica.
Na Ilha da Madeira é conhecida como Terrantez ou Terrantez da Madeira e foi aí que foi celebrizada. É considerada uma casta nobre utilizada para Vinho Madeira do tipo meio doce e meio seco. São célebres e raros os vinhos velhos Frasqueira Terrantez da Madeira.
Os cachos são pequenos, compactos e constituídos por bagos pequenos de cor verde-amarelada.
O vinho tem um sabor mineral com uma acidez dominante, a qual contribui para a elevada qualidade dos vinhos generosos em que participa. Por ser considerada uma casta rara, o povo atribuí-lhe um ditado popular: “As uvas da casta Terrantez, não as comas nem as dês, para vinho Deus as fez! “.
Sinonímia: Carão de Moça, Donzelinho Branco (Douro), Terrantes, Silveriña, Cigarrizo
Fonte: IVBAM, Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Terrantez do Pico
A casta Terrantez do Pico é uma casta muito antiga. Muito melindrosa e sensível à podridão, requer muita atenção e cuidados por isso esteve quase à beira da extinção. Só existia na Ilha do Pico e foi assim designada para evitar confusões com outras variedades de nome semelhante que existem noutras partes de Portugal.
É a uva menos cultivada e a mais cara do país, e uma das mais caras da Europa.
Os seus vinhos são únicos e muito procurados, justificando todo o esforço na recuperação da casta. O solo de lava, quase impenetrável e a salinidade dão um carácter distinto, mineral e vulcânico a estes vinhos. Os vinhos Terrantez do Pico têm uma mistura de aromas cítricos e florais com notas salinas.
Sinonímia: Terrantez
Fonte: Wine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Trajadura
É uma casta ancestral. A sua origem está no noroeste ibérico. Não se sabe se veio da Galiza para o Minho ou se viajou do Minho para a Galiza mas provavelmente tem origem minhota dada a sus proximidade genética com as castas Loureiro, Arinto e Azal.
Contrariamente às restantes variedades do Vinho Verde, é uma casta de acidez moderada, apresentando maturações alcoólicas elevadas para o referencial minhoto. É uma variedade de ciclo muito longo, de abrolhamento precoce e maturação tardia, com cachos compactos de dimensão mediana, compostos por bagos verde-amarelados, proporcionando rendimentos muito elevados.
Proporciona aromas discretos a pêssego, alperce, maçã e pera madura, assistidos por agradáveis sensações a flor de laranjeira.
Por permitir um grau alcoólico elevado e uma acidez moderada, é frequentemente utilizada em lotes, como ferramenta útil no amaciamento dos vinhos da região. O lote que a associa com o Alvarinho, da mesma forma que os lotes que a associam com a Loureiro e a Arinto ganharam uma popularidade crescente.
Sinonímia: Treixadura (Galiza), Tragadura, Trinca-Dente, Treijadura
Fonte: Wines of Portugal, Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Trincadeira das Pratas
É uma casta autóctone cultivada na região do Tejo e do Alentejo, onde é chamada erradamente de Tamarez. Resulta de um cruzamento entre Mourisco Branco e Alfrocheiro.
Os vinhos desta casta são leves, com aromas de pera, limão e ervas. Boa longevidade, com aptidão à fermentação e estágio em barrica. É considerada uma das castas que mais contribui para a originalidade dos vinhos do Tejo.
Sinonímias: Arinto Gordo, Boal Prior, Tamarez (Alentejo, Setúbal)
Fonte: Wine to Wine Circle, Vida Rural, “As castas do vinho” de João Afonso

Verdelho
É nas ilhas, na Madeira e Açores, que a casta efetivamente prospera, a par da Austrália onde ganhou forte reputação internacional.
Na Madeira é uma das variedades elementares, responsável pelo sucesso dos vinhos generosos do mesmo nome, apesar de, curiosamente, só no início do século passado ter sido elevada à condição de casta nobre. Num passado remoto, antes do surto de filoxera na ilha, chegou a ocupar mais de dois terços da área total de vinha. Floresce na costa norte da ilha, a altitudes elevadas, oferecendo uvas com acidez notável e açúcar razoável, utilizadas para os vinhos secos e generosos.
A Verdelho proporciona vinhos aromáticos e equilibrados, apresentando-se, nos vinhos generosos da Madeira, sob o estatuto de vinho meio seco.
Nos Açores o famoso Verdelho açoriano é caracterizado pela frescura, pela mineralidade, pela salinidade e pela acidez vibrante. É considerada a casta tradicional, é a mais antiga e a mais típica do encepamento. Antes de serem dizimadas pela filoxera eram exportadas na sua maioria para a Europa continental (e para as notáveis caves do Czar Nicolau II).
Atualmente, dada a sua elevada resistência ao mar são cultivadas praticamente em todas as ilhas do arquipélago açoriano, com predominância nas ilhas do Pico, São Jorge, Graciosa e Terceira, e exportados para vários países da Europa em particular para Inglaterra.
Esta casta foi levada da Ilha da Madeira para a Austrália por volta de 1824 onde dá origem a vinhos ricos, aromáticos e secos. É uma casta diferente da Verdecchio italiana e da Verdejo espanhola.
Sinonímia: Arinto da Terceira, Verdelho do Pico, Verdelho da Madeira
Fonte: Wines of Portugal

Viosinho
Inserida nas regiões do Douro e Trás-os Montes é originária do Douro onde sobreviveu até aos dias de hoje. É uma casta antiga e de grande qualidade que só recentemente viajou para outras regiões vitícolas de Portugal. Apresenta cachos e bagos pequenos, de maturação precoce, sensíveis ao oídio e adaptando-se a todas as cotas e exposições.
Origina vinhos intensos, aromáticos e ricos. Com aromas frutados e de ervas aromáticas os Viosinho têm bom corpo, acidez e riqueza aromática. Em termos de prova são vinhos sólidos, entre os melhores do país.
Sinonímia: Veozinho-Verdeal
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso

Viognier
Bastante aromática, a casta Viognier é característica do Norte do Rhône (França), onde produz vinhos brancos deliciosos e de grande elegância, como os famosos Condrieu.
Os vinhos elaborados com a casta Viognier costumam revelar uma cor intensa, alto teor alcoólico, baixa acidez e são muito perfumados, com aromas associados a damasco, pêssego e flores. Os Viognier oriundos de climas mais frios são mais minerais, florais e com notas de lima. Os que são oriundos de climas mais quentes adquirem um sabor mais rico.
A baixa acidez da Viognier não requer carvalho para chegar a um vinho com equilíbrio, mas um leve envelhecimento em madeira pode melhorar ainda mais o seu sabor exótico acrescentando mutas vezes um toque de baunilha. Os exemplares mais adocicados, de colheita tardia, trazem também notas de mel.
Um vinho seco produzido a partir da Viognier fica excelente quando harmonizado com queijos e é excelente com os temperos picantes presentes na cozinha tailandesa e chinesa. É ainda uma escolha perfeita para acompanhar um salmão grelhado.
Um vinho de colheita tardia é o vinho de sobremesa ideal para acompanhar torta ou sorvete de damasco, ou então damascos servidos com gorgonzola.

Vital
É uma casta autóctone portuguesa especialmente cultivada em Lisboa, Tejo, Península de Setúbal, Beiras e Trás-os-Montes. Terá nascido a partir de um cruzamento natural entre as castas Malvasia Fina e Rabo de Ovelha. É uma casta bastante interessante e que se dá bem nas zonas de influência marítima e ventosas.
É particularmente apta para vinhos leves e jovens, originando vinhos com uma graduação média, frutados, equilibrados e delicados. Quando bem trabalhada pode originar vinhos cítricos, minerais e com notas salinas. O armazenamento destes vinhos em barricas leva a uma melhoria do envelhecimento.
Sinonímia: Boal Bonifácio, Malvasia Corada (Dão, Douro), Cagado dos Pardais
Fonte: IVV, “As castas do vinho” de João Afonso
