Castas Tintas
Portugal tem um dos mais vastos patrimónios de castas do mundo. Das 345 variedades de uvas aptas para a produção de vinho, 194 são tintas e rosadas. Apesar deste vasto catálogo de castas apenas 18 castas tintas, representam 60% da área total de vinhas plantadas. Urge preservar este património vivo que dá aos vinhos portugueses distintos e singulares perfis. Felizmente uma nova mentalidade está a surgir e investigadores, enólogos e produtores estão a convergir no sentido de plantarem, recuperarem e preservarem castas autóctones e tradicionais de cada uma das regiões vitivinícolas portuguesas.
Alfrocheiro
A casta Alfrocheiro encontra o seu território natural na região do Dão, apesar de ser ter expandindo com sucesso para Sul, estendendo-se às regiões do Alentejo, Tejo e Palmela. É uma casta vigorosa, necessitando de atenção redobrada para controlar o vigor, revelando uma propensão natural para sofrer com o oídio e a podridão cinzenta.
Produz vinhos ricos em cor, com um notável equilíbrio entre álcool, taninos e acidez. É essa notável capacidade para reter a acidez elevada, aliada à presença generosa de açúcares, que a torna tão oportuna nas terras do Sul. Aromaticamente sobressaem os aromas a bagas silvestres, com destaque particular para a amora e o morango maduro. Por regra, dá forma a vinhos de taninos firmes, mas delicados e estruturantes.
Sinonímia: Alfurcheiro, Alfrocheiro Preto, Bastardo Negro, Tinta Bastardinha, Tinta Fina, Tinta Francisca de Viseu, Tinta Francesa (Viseu), Baboso Negro (Espanha)
Fonte: Wines of Portugal

Alicante Bouchet
A Alicante Bouschet é uma casta de uva tinta criada por Henry Bouschet, entre 1865 e 1885, a partir do cruzamento das uvas Grenache e Petit Bouschet.
Por ter sido criada em laboratório é considerada uma casta sem pátria e foi adotada maioritariamente em Portugal onde encontra no Alentejo a sua casa.
Quando Henry Bouschet criou esta casta pretendia criar uma uva tintureira que intensificasse a cor dos vinhos, por isso, as suas uvas são muito diferenciadoras. As películas são grossas e escuras e a polpa é vermelha-escura. Por ter elevado rendimento e ser muito resistente foi plantada em várias regiões vitícolas: França (sul), Portugal (Alentejo), Espanha (Valência e Castela), EUA (Califórnia), entre outros. Apesar de ter sido muito utilizada, principalmente para dar cor aos vinhos, foi o Alentejo que descobriu o verdadeiro potencial enológico da casta produzindo vinhos de grande qualidade.
As uvas de Alicante Bouschet, conhecidas em Espanha por Garnacha Tintorera, produzem vinhos escuros e intensos. Na boca são cheios, envolventes, macios e ricos em taninos, mas bem equilibrado pela acidez. Com grande capacidade de envelhecimento apresentam aromas a frutos do bosque frescos ou, quando os vinhos são mais complexos, fruta em compota: groselha preta, mirtilo, amora, cereja, ameixa preta. As notas de especiarias como pimenta preta, canela, cravinho, alcaçuz também são uma das suas características. Também podem ser percebidos aromas florais e de ervas aromáticas: tomilho, alecrim, eucalipto, menta, hortelã, violetas rosas e lavanda. Os vinhos envelhecidos podem trazer aromas terrosos como trufas, terra molhada ou cogumelos e aromas a couro, chocolate negro ou cacau, entre outros.
Sinonímia: Alicante, Alicante Henri Bouschet, Alicante Femminello, Alicante Nero, Alicante Noir, Alicante Tinto, Alicantina, Alikant Bushe, Negral, Pé de Perdiz, Sumo Tinto, Tinta Fina

Alvarelhão
É uma casta autóctone de Portugal provavelmente originária dos territórios que hoje são chamados de Douro e Dão. É mais conhecida por fazer parte dos lotes de vinhos do Douro no final do século XIX e início do século XX e por ser a base de muitos tintos do Dão até 1970. Durante muitos anos também foi a base essencial para o fabrico de vinhos rosés, aos quais conferia delicadeza e perfume.
Atualmente é mais utilizada como casta de lote, mas pode produzir tintos interessantes. Vinhos leves e frescos, ideais para serem consumidos jovens.
Os vinhos desta casta têm uma cor rubi aberta, aroma perfumado, fazendo lembrar flores, e sabor ligeiro, com pouco corpo, mas muito vivo. Com pouco potencial para envelhecimento os seus vinhos devem ser consumidos jovens. Em vinhos de lote confere macieza, perfume e equilibrada acidez.
Sinonímia: Avarilhão, Alvaralhão, Brancelhão. Brancelho (Vinho Verde), Pilongo (Dão), Brancellao (Galiza)
Fonte: Wine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Amaral
É uma das castas mais antigas da região do Vinho Verde. Está na génese de muitas outras castas da região por cruzamentos naturais. Predominantemente cultivada sub-região de Paiva surge um pouco por toda a região do Vinho Verde com os sinónimos de Azal Tinto nos concelhos mais ao centro e norte, Cainho Bravo ou Cainho Miúdo em Monção, Cainzinho em Arcos de Valdevez e por Sousão Galego na zona de Basto.
Produz vinhos de cor intensa, vermelho rubi, com aroma sem destaque a casta, encorpados e de gosto ligeiramente acídulo. Utilizada em vinhos tintos de lote, contribuindo para a conservação dos mesmos.
Sinonímia: Amaral Preto, Azal Tinto, Cainho Bravo, Cainho Tinto, Cainho Miúdo, Cainzinho, Sousão Galego
Fonte: CVR do Vinho Verde

Aragonez
É a casta ibérica por excelência, uma das raras variedades a ser valorizada dos dois lados da fronteira, convivendo em Portugal sob dois apelidos, Aragonez (Alentejo) e Tinta Roriz (Dão e Douro). Terá vindo de Espanha, onde é conhecida por Tempranillo, provavelmente da DO Valdepeñas, que possui a maior diversidade genética da casta e terá nascido do cruzamento natural entre a casta Albillo Mayor e a Benedicto.
É uma casta precoce, muito vigorosa e produtiva, facilmente adaptável a diferentes climas e solos, tendo-se estendido rapidamente para as regiões do Dão, Tejo e Lisboa. Se o vigor for controlado, oferece vinhos que concertam elegância e robustez, fruta e especiarias, num registo profundo e vivo.
Prefere climas quentes e secos, temperados por solos arenosos ou argilo-calcários. É tendencialmente uma casta de lote, beneficiando recorrentemente da companhia das castas Touriga Nacional e Touriga Franca no Douro, bem como da Trincadeira e Alicante Bouschet no Alentejo.
Os vinhos desta casta são aromaticamente intensos e complexos. Desenvolvem aromas de ameixas e frutos silvestres, que se tornam mais complexos com a evolução. Na boca são macios, com algum acídulo, estruturados, taninosos e bastante complexos.
Sinonímia: Tinta Roriz, Tinta Santiago (Palmela, Setúbal), Tempranillo, Cencibel, Tinta Fina, Ull de Liebre, Valdepeñas
Fonte: Wines of Portugal, Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Baga
Apesar de caprichosa, a casta Baga é responsável pelos melhores vinhos da Bairrada, revelando-se igualmente importante nas Beiras e Dão, e, embora menos determinante, em Lisboa e Tejo. Pensa-se que a sua origem tenha sido no Dão migrando posteriormente para a região que a celebrizou, a Bairrada.
É uma casta vigorosa, com cachos de bagos pequenos, de maturação tardia, necessitando de mondas diligentes para conseguir manter a qualidade e maturação correta da fruta. Extremamente suscetível à podridão, sofre com as provações das primeiras chuvas de setembro, preferindo os solos argilosos e com boa exposição solar.
Com boas maturações, e em anos secos, os vinhos da casta Baga assumem uma cor profunda, com fruta de bagas silvestres bem definida, ameixa preta, taninos sólidos e acidez mordaz, com notas de café, erva seca, cedro tabaco e fumo. Por vezes, mais raramente, podem exibir elegantes notas florais. Na boca, são intensos e frescos. Quando jovens e muito extraídos são acídulos e taninosos e de textura adstringente. Com os anos ganham sabor, complexidade e elegância.
Os vinhos da casta Baga apresentam um enorme potencial de envelhecimento em garrafa, com alguns exemplares a durarem décadas.
Sinonímia: Paga Dívida (Dão), Poeirinho (Ribatejo, Cantanhede, Coimbra), Tinta da Bairrada (Douro), Carrasquenho (Tomar), Baga de Louro (Dão e Bairrada)
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Bastardo
A casta ibérica Bastardo tem origem em Jura (Borgonha). É o Trousseau francês, mas de clone diferente. Curiosamente, Portugal é onde a casta Bastardo é mais profícua sendo progenitora de várias outras castas. É uma casta muito antiga e já foi uma das mais importantes do vale do Douro. Durante o século XIX, com o clima a tornar-se mais quente começou a ser abandonada.
O aroma desta casta é muito característico, lembrando frutos e bagas silvestres quando jovem, evoluindo para composições aromáticas mais complexas, com notas de fumo, café, erva seca, ameixas secas e tabaco. Com o envelhecimento, os vinhos ganham aromas mais complexos e profundos. Com 10 anos ou mais de estágio, surgem aromas de madeira, mesmo em vinhos que nunca os tiveram antes.
Sinonímia: Bastardinho (Dão, Algarve, Arruda), Abrunhal (Beira Alta), Graciosa, Trousseau (França), Merenzano, Merenzano e Maria Adorna (Espanha), Gros Cabernet (Austrália)
Fonte: Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Borraçal
A casta Borraçal é uma das castas tintas mais cultivadas na região dos Vinhos Verdes. É plantada em quase toda a região, onde é também conhecida por Esfarrapa ou Bogalhal, entre outras designações. Os cachos desta casta são pequenos e de formato cónico. Os bagos são de tamanho médio, não uniformes e de cor negro-azulada.
Os vinhos elaborados a partir da casta Borraçal apresentam cor rubi e um elevado grau de acidez. Por ser rica em ácido málico é muito utilizada em vinhos de lote contribuindo para a vivacidade dos vinhos. Pela mesma razão é também uma variedade utilizada para engarrafamentos precoces, para que a fermentação malolática ocorra em garrafa, criando um vinho espumoso muito apreciado pelas gentes do noroeste nacional para acompanhar a gastronomia regional.
Sinonímia: Esfarrapa (Viana do Castelo), Caninho Grosso e Cainho Grande (Monção), Bogalhal e Olho de Sapo (Basto)
Fonte: Infovino, CVR do Vinho Verde, “As castas do vinho” de João Afonso

Cabernet Franc
O Cabernet Franc provavelmente teve origem no País Basco – onde o Norte de Espanha e o Sudoeste de França se encontram ao longo da costa do Golfo da Biscaia. Instalou-se na região de Bordéus no século XVII e é uma das três principais castas tintas, e a mais antiga, da região Bordalesa. Atinge a sua melhor expressão em St.Emilion e em Pomerol mas na verdade foi o Vale do Loire que a popularizou durante os anos 1600, onde é conhecida pelo nome Breton, estendendo-se depois por várias regiões Francesas.
Em Bordéus, a maior concentração de plantações de Cabernet Franc encontra-se na margem direita do rio, onde a casta é tradicionalmente misturada com Merlot. Já na margem esquerda do rio, o Cabernet Franc é plantado com o Cabernet Sauvignon, porque quando misturadas estas duas castas produzem vinhos extraordinariamente complexos e elegantes.
A fama desta casta também se deve ao facto de ter originado a Cabernet Sauvignon depois de ter sido cruzada com a Sauvignon Blanc. Apesar de historicamente ser utilizada nos grandes blends de Bordéus já se consegue encontrar vários monovarietais.
Atualmente é plantada em várias regiões vinícolas do mundo e é uma das 20 castas mais populares de tal forma que existe um Dia Internacional do Cabernet.
Estas uvas de cor profunda originam vinhos tintos de corpo médio, frescos, com taninos moderados e de acidez elevada. Os vinhos feitos de 100% Cabernet Franc são delicados e aromáticos, com aromas de frutos vermelhos como framboesa e morango, aromas salgados e de ervas frescas podendo ter notas picantes a malagueta.
É um vinho bastante versátil em termos de harmonizações combinando com uma grande variedade de pratos devido aos seus taninos suaves e à sua acidez refrescante: legumes ricos grelhados, pratos de cogumelos, aves de caça, guisados, pratos italianos à base de tomate são alguns exemplos. O perfil salgado e herbáceo, em combinação com os frutos vermelhos fazem da Cabernet Franc uma uva deliciosa e muito atrativa.
Sinonímia: Acheria, Bouchet (Gironde), Carmenet (Médoc), Cap Breton ou Plant des Sables (Landes), Bouchy ou Trouchet Noir (Baixos Pirinéus), Grosse Vidure, Breton (Val de Loire), Véronais (Chinon), Noir Dur (Loiret), Cabernet (Áustria), Kaberne Frank (Croácia).

Cabernet Sauvignon
Originária da região de Bordeaux, no sudoeste da França, é a uva mais difundida no mundo, encontrando-se em todas as zonas temperadas e quentes. É resultado do cruzamento entre as uvas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc.
Os vinhos Cabernet Sauvignon produzidos em regiões mais frias são mais leves e tendem a exibir sabores a frutos vermelhos. As regiões de clima quente produzem vinhos mais frutados, com um grau de álcool mais alto e taninos mais maduros. Têm uma cor bastante intensa, elevado teor de taninos e boa acidez.
Com aromas a pimento verde, groselhas pretas, cereja, especiarias doces, charuto, cedro, menta, e em certos terroir, grafite, tem um enorme potencial de envelhecimento. O estágio em barrica pode trazer outros aromas como baunilha e notas tostadas. Um Cabernet Sauvignon com mais anos torna-se mais sedoso e menos agressivo.
Responsável por alguns dos vinhos mais emblemáticos do mundo também se adapta bem a lotes com castas mais suaves. A sua estrutura faz destes vinhos um excelente pairing para carnes grelhadas e assadas.

Caladoc
Esta casta é resultado do cruzamento entre as castas Malbec e Grenache criado por Paul Truel no “Institut National de la Recherche Agronomique” no ano de 1958. Está muito difundida em França nas regiões da Provença e de Languedoc, mas não está autorizada para vinhos DOC. Para além da França, as regiões onde é mais plantada são: região de Mendoza, na Argentina e nas regiões de Lisboa e Tejo em Portugal.
O nível de taninos dos vinhos produzidos a partir desta variedade de uva, é mais elevado e os vinhos são muito escuros. Não há muitos vinhos varietais desta casta, no entanto, existem alguns exemplares, principalmente em rosés.
Os vinhos produzidos a partir desta variedade de uva são muito sedutores. Têm cor intensa, são encorpados e tânicos, mas sem qualquer tipo de amargor. Os aromas são de especiarias, framboesa, fruta madura e notas florais. Os vinhos da casta Caladoc têm um bom potencial de guarda e são excelentes para produzir vinhos rosés frutados e equilibrados. Quando utilizados em vinhos de lote desenvolvem aromas semelhantes aos balsâmicos, eucalipto e bagas silvestres.
São muito versáteis em termos de harmonizações e acompanham uma grande variedade de pratos.
Sinonímia: Caladok, Kaladok

Camarate
A origem desta casta autóctone portuguesa é desconhecida, mas considera-se que a Bairrada terá sido a sua origem. Resulta de um cruzamento entre as castas Cayetana Blanca e a Alfrocheiro. Além da Bairrada podemos encontrá-la nas regiões do Tejo, Lisboa, Beira Interior e Douro. Apesar da grande tradição histórica é uma casta pouco utilizada.
Os vinhos da Camarate apresentam cor rubi medianamente intensa. O aroma é frutado, com notas de framboesa e o sabor é aveludado e macio, com taninos suaves. Recomenda-se que seja consumido jovem.
Sinonímia: Castelão Nacional (Ribatejo), Castelão do Nosso, Mortágua (Arruda), Moreto (Douro), Moreto de Soure (Bairrada), Negro Mouro (Dão)
Fonte: Vine to Wine Circle e “As castas do vinho” de João Afonso

Castelão
É uma das variedades mais cultivadas no sul do país, sendo particularmente popular nas denominações do Tejo, Lisboa, Península de Setúbal e Alentejo, mas, é nas vinhas velhas de Palmela, nas areias quentes do Poceirão, que a casta dá o melhor de si.
É uma uva que se desenvolve melhor em climas quentes, e solos secos e arenosos. Análises de ADN indicam que surgiu do cruzamento entre as castas Sarigo Branca (conhecida por Cayetena Blanca) e a Alfrocheiro. Até à década de 1990 era conhecida por Periquita e teve muito protagonismo nos vinhos tintos do sul do país.
Quando os vinhos com fruta vibrante e de cor escura começaram a comandar o gosto do mercado a uva Castelão foi sendo substituída por outras variedades. Em vinhas maduras, de baixa produtividade, devidamente controladas, a Castelão dá origem a vinhos estruturados, frutados, com particular incidência na groselha, frutos silvestres, ameixa em calda, frutos silvestres, e nalguns casos notas típicas de caça.
Quanto mais atlântico for o clima, menos cor e mais aromas vegetais se juntam à fruta de bosque e à ameixa. Nos climas mais ensolarados o vinho ganha mais cor, os aromas da fruta ficam mais maduros e as notas vegetais são substituídas por especiarias.
Proporciona vinhos de taninos proeminentes e acidez intensa, revelando um lado rústico de que o Castelão raramente consegue descolar. São muito gastronómicos. Os melhores exemplares têm uma excelente capacidade de envelhecimento podendo durar décadas.
Sinonímia: Castelão Francês (Ribatejo), Periquita, João de Santarém
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Doçal
Esta casta autóctone portuguesa é autorizada na região demarcada do Vinho Verde, particularmente nas sub-regiões de Monção, Lima e Braga. Ao contrário do que o seu nome sugere a Doçal, não é uma uva rica em açúcar, mas sim, pobre em acidez.
Origina vinhos de cor rubi a granada, pouco aromáticos, encorpados, mas sem destaque particular.
Sinonímia: Folhal, Verdelho Doce, Doçal Miúdo e Borralho (Viana do Castelo), Espadeiro Doce, Doçal Aragão (Monção)
Fonte: CIPVV

Donzelinho Tinto
A casta Donzelinho Tinto é uma das castas mais antigas da região do Douro, referenciada desde 1531, encontrando-se só em vinhas centenárias plantada com outras castas. É uma variedade muito rara e invulgar no Douro, resultado do cruzamento entre a Cainho da Terra e a Gouveio. A videira da Donzelinho é muito resistente e tem um aspeto algo selvagem, com um tronco muito grosso e porte vigoroso.
Os vinhos têm uma cor pouco intensa, aromas a frutos vermelhos e subtis notas florais. Na boca são ligeiros e pouco persistentes. Com pouco potencial de envelhecimento é sobretudo utilizada para Vinhos do Porto ou vinhos de lote.
Sinonímia: Donzelinho do Castello, Donzelinho
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso

Espadeiro
Originária do noroeste de Portugal, a casta Espadeiro é cultivada na região do Vinho Verde e produz vinho muito apreciado na região.
O ciclo vegetativo desta casta é muito longo. Para amadurecer necessita de acumular muitas horas de sol por isso a sua vindima é bastante tardia. É casta é muito produtiva e apresenta cachos de grande dimensão, compactos e constituídos por bagos médios e uniformes.
Os vinhos produzidos com esta casta são acídulos e de cor rosada clara ou rubi muito aberta (quando submetidos ao processo de curtimenta prolongada). Tradicionalmente, vinifica-se em «bica aberta», para produção de vinho rosé conhecido por Espadal. Os seus aromas pendem para os frutos silvestres.
Sinonímia: Espadeiro da Terra, Padeiro, Padeiro Tinto, Tinta dos Pobres
Fonte: Infovini, Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Espadeiro Mole
Casta autóctone portuguesa da região do Vinho Verde plantada nas sub-regiões de Monção e Lima, mas sem representatividade. O nome com que foi batizada vem da sensibilidade da casta ao stress hídrico o que bloqueia a degradação dos ácidos.
Produz vinhos que podem ter muita cor, marcada acidez, adstringentes e com algum potencial de envelhecimento. É utilizada para vinhos de lote.
Sinonímia: Espadão, Espadeiro da Terra, Espadeiro Femeeiro, Espadeiro (Monção), Farinhoto, Verdelho da Sombra (Ponte de Lima), Vinhão Mole
Fonte: CIPVV, “As castas do vinho” de João Afonso

Gamay
É uma casta de origem francesa muito antiga. Remonta ao século XIV e é a casta de assinatura da região de Beaujolais, na Borgonha. Tem o nome de uma pequena aldeia em Saint-Aubin, na Côte de Beaune mas, apesar da sua origem borgonhesa, foi proibida no final do século XIV pelo duque da Borgonha Philippe le Hardi, que preferia a Pinot Noir e a considerava mais nobre. Receando que a produtiva Gamay, prejudicasse a reputação dos vinhos da Borgonha ordenou que as vinhas fossem arrancadas. E foi assim que a Gamay foi banida e chamada de “planta vil e desleal”. Desenraizada da Côte d’Or, é replantada no sul da Borgonha e no Beaujolais que a cultivarem durante gerações.
As uvas Gamay são muito identificáveis pois quando amadurecem os seus bagos são de uma cor azulada quase preta e o seu sumo é branco. No Vale do Loire, é utilizada para fazer Rosé. No Loire e na Borgonha, é misturada com Pinot Noir para fazer tintos leves e frescos. Internacionalmente tem vindo a crescer em popularidade em regiões de clima fresco, como Canadá, Suíça, Oregon e Nova Zelândia. Nos países europeus, para além da França, está listada no catálogo de vários países: Bélgica, Bulgária, Chipre, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Eslovénia e Espanha.
A Gamay partilha características semelhantes ao Pinot Noir. Os seus vinhos têm cor mais clara, variando de granada a roxo, são perfumados, com notas de violetas e frutos silvestres como morango, framboesa, groselha preta ou groselha que com o tempo podem evoluir para aromas de ameixa e especiarias. Alguns Gamay libertam notas de vegetação rasteira e aromas animais.
Estes vinhos incrivelmente frutados, frescos, de acidez viva e poucos taninos têm uma surpreendente capacidade de emparelhar com a comida. Harmonizam com pratos de peixes mais carnudos, carnes brancas e vermelhas, charcutaria e até pratos exóticos.
Sinonímia: Petit Gamay, Round Gamay, Gamay Beaujolais, Bourguignon, Petit Bourguignon, Grosse Dôle, Lyonnaise, Plant Robert (Suíça)
Fonte: enologie.fr, Vins de Bourgogne

Grand Noir
O Grand Noir é um híbrido originado por um cruzamento entre Petit Bouchet e Aramond Noir. Foi criado em 1885 por Henry Bouchet, que o batizou com o nome “Grand Noir de la Calmette” em honra do local onde se encontrava a sua propriedade. Esta vinha de bagas coloridas espalhou-se em França, no século XX. Até aos anos sessenta foi a quinta uva mais plantada, mas atualmente quase desapareceu no seu país de origem.
Foi introduzida em Itália, na Toscana, pelo Professor Racah no início do século XX, para substituir o Colorino e o Tinturier. Era muito comum na região das Colinas de Pisan. Hoje este tipo de vinha, quase desaparecida, começou a crescer nas colinas de Poggio al Casone que agora acolhe a maior vinha de Grand Noir em todo o mundo.
A casta foi salva por Piergiorgio Castellani que a encontrou nas propriedades de Poggio Al Casone em Itália. A sua experiência com videiras permitiu-lhe enxertar uma amostra desta planta na sua vinha experimental. Rapidamente se apaixonou por este vinho de textura leve e aveludada com sabores a especiarias e bagas. Os seus esforços salvaram esta uva da extinção.
Para além de França esta casta esta listada no catálogo de outros países europeus: Bulgária, Portugal e Espanha.
Sinonímia: Baga, Galliko, Gkiobrek Kara, Gkranoba, Gran Negro, Gran Nuar de Lya Kalmett, Grand Chernyi, Granoir, Granua, Gros Producteur, Pe de Perdiz, Pe de Pombo, Sumo Tinto, Tinta, Tinta Fina, Tinta Francesca, Tinturao, Grand Noir de la Calmette

Grenache
Atualmente, Grenache ou, Garnacha Tinta, como é designada em Espanha é uma das uvas mais plantadas do mundo. A sua origem remonta ao antigo Reino de Aragão que é agora o leste de Espanha e Sul de França. No clima quente e seco do Mediterrâneo a variedade espalhou-se rapidamente para sul e para leste: Córsega, Sardenha, sul de Itália, Sicília, Croácia e até mesmo Grécia. Nos séculos XVIII e XIX também prosperou por regiões não europeias: Austrália, Norte de África e Califórnia.
Origina vinhos de cor intensa, taninosos e de álcool elevado por isso é geralmente utilizada em blend para atingir um melhor equilíbrio. Dependendo da região de onde são cultivadas transmitem diferentes aromas, mas os mais reconhecidos são frutas vermelhas em particular morango e framboesas, ervas silvestres e notas de especiarias como pimenta preta, anis estrelado ou alcaçuz.
Saiba que a casta Grenache é a variedade mais importantes para o blend um dos vinhos mais famosos e valorizados: Chateauneuf du Pape e mais recentemente Priorat.
As notas de especiarias presentes num Grenache fazem dele um bom par para acompanhar pratos especiados e temperados com ervas aromáticas. Fica bem com vegetais, carnes assadas e uma grande variedade de pratos étnicos.
Na União Europeia está listada no catálogo de castas de vários países: Áustria, Bulgária, Croácia, Chipre, França, Grécia, Itália, Malta, Portugal e Espanha.
Sinonímia: Alicante (Itália), Cannonau (Itália), Tocai Rosso (Itália), Garnacha Tinta (Espanha), Grenache Noir (Bulgária, Chipre, Croácia) and Grenache Rouge (Grécia)

Jaen
É originária das regiões vitícolas espanholas do Bierzo, Ribeira Sacra e Valdeorras onde é designada de Mencía. Resulta do cruzamento natural entre a casta Alfrocheiro e a casta Patorra e pensa-se que terá entrada em Portugal após a filoxera.
Em Portugal, é no Dão que a casta melhor se expressa, e onde se encontra mais bem representada. É uma casta vigorosa, de maturação precoce, com pouca acidez natural, apresentando deficiências na extração de cor. Por ser extraordinariamente produtiva, obriga a mondas apertadas na vinha, sob pena de oferecer vinhos aguados e acídulos, de baixo grau alcoólico. É particularmente sensível ao míldio e à podridão.
Consagra vinhos perfumados, veementes nas notas aromáticas de amora, mirtilo e cereja. Apesar de ser uma variedade levemente rústica, proporciona vinhos macios e sedosos, que arredondam rapidamente. Vinhos pouco exuberantes, mas muito sedutores.
Sinonímia: Fernão Pires Tinta, Jaen Galego, Gião, Mencía (Espanha), Tinta Mencía (Espanha)
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Malbec
Com 2000 anos de idade a Malbec é uma uva cheia de história. Teve origem em Cahors, França, onde foi identificada pela primeira vez por soldados romanos que passavam pela região. Tornou-se uma uva favorita e espalhou-se amplamente por toda a França, até que no final do século XIX foi dizimada pela filoxera e substituída por outras castas mais resistentes como a Cabernet e a Merlot. Do outro lado do Atlântico, na região montanhosa da Argentina, esta casta prosperou.
Na década de 1850 o agrónomo francês Michel Pouget levou uma variedade de vinhas de França para a Argentina, incluindo a Malbec. E foi aí que esta casta encontrou o seu terroir ideal em regiões como San Juan, Salta, e especialmente Mendoza.
O segredo para que a Malbec prosperasse e se tornasse na expressão maior do vinho argentino são as elevadas altitudes a que é plantada. Em Mendoza a altitude média dos contrafortes andinos onde são plantados os vinhedos situa-se entre os 2000 e os 3600 pés. Em Salta, que tem algumas das vinhas mais altas do mundo, a altitude atinge os 5000 pés. Este é o cenário ideal para a delicada Malbec que prospera em climas secos, frescos e com boa exposição solar para um amadurecimento pleno.
Os vinhos Malbec tornaram num clássico devido ao seu equilíbrio entre a acidez natural elevada e taninos relativamente redondos e macios. Os vinhos são ricos, suculentos e de textura aveludada. Os aromas são frutados, com destaque para os aromas de ameixa vermelha e cereja preta. Os vinhos Malbec de gama superior podem ter um estágio em carvalho mais prolongado e ganhar diferentes aromas a frutos silvestres, chocolate, tabaco e notas florais subtis.
Para além da Argentina, que é responsável por cerca de 80% da produção de Malbec, os países com mais representatividade desta variedade são o Chile, a França (na região de Cahors), Estados Unidos da América, África do Sul, Austrália e Itália. Em Cahors, onde esta casta nasceu os Malbec têm um perfil muito diferente do argentino. Os taninos são mais elevados e o perfil de sabores mais terroso. De uma forma geral harmonizam bem com suculentas carnes escuras de aves e de porco.
Sinonímia: Auxerrois, Côt, Noir de Pressac, de Gourdoux, d’Estrangey, de Côte-rouge, de Pied de Perdrix, Griffoin, Mauzat, Vesparol, Prolongeau, Plant du Lot, Plant de Cahors, Plant du Roy, Malbec du Portugal ( Austrália), Malbeck (Argentina)

Malvasia Preta
É uma casta muito antiga originária do nordeste de Portugal. Aceita-se que seja originária da região do Douro. É uma irmã da Castelão pois resulta do cruzamento natural entre as castas Cayetana Blanca (Sarigo) e Alfrocheiro. O Douro e Dão são as regiões de maior expansão e muitas vezes está presente em vinhas velhas. Tem uma boa acidez e bom potencial alcoólico sendo normalmente utilizada em vinhos de lote.
Produz vinhos com aromas silvestres de amoras, framboesas e violetas, alguma estrutura e potencial de envelhecimento.
Sinonímia: Moreto do Dão, Negro Moura
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso

Marselan
Marselan é um cruzamento entre duas famosas variedades de uvas tintas, Grenache e Cabernet Sauvignon. Foi criada em 1961 pelo Instituto Nacional Francês de Investigação Agrícola (INRA) na sua estação Domaine de Vassal em Marselan que acabou por lhe dar o nome.
É uma das sete castas permitidas nas denominações de Bordéus e Bordéus Superior numa percentagem minoritária e foi aceite com o objetivo combater os efeitos das alterações climáticas nas vinhas e vinhos da famosa região francesa.
Esta variedade está classificada na lista de castas da Bulgária, Croácia, Itália, Portugal e Espanha. A Marselan origina vinhos de cor intensa, complexos e aromáticos, boa acidez, taninos macios e harmoniosos e com potencial de envelhecimento. Os aromas são de groselha-negra e framboesa com notas picantes de especiarias.

Merlot
Originária da região de Bordéus, sudoeste de França, é uma das castas mais populares e cultivadas em todo o mundo. Os primeiros registos históricos datam do século XVIII, mas acredita-se que a casta tenha uma história mais antiga.
O seu nome deriva da palavra francesa “merle”, que significa “melro”, devido à semelhança com a plumagem preto-azulada do melro. É plantada por toda a região de Bordéus, mas é nos solos frescos e húmidos da margem direita, como Saint-Émilion e Pomerol, que consegue expressar melhor o seu potencial. Na AOC de Pomerol é quase a casta exclusiva.
A Merlot desempenhou um papel importante na vinificação dos vinhos de Bordéus. Era frequentemente usada, para suavizar os vinhos devido à sua natureza macia, frutada e de taninos mais suaves e está muito associada à Cabernet Sauvignon. Também é utilizada com a Cabernet Franc, Petit Verdot e raramente com Carmenère e Malbec. Os aromas dos vinhos varietais da casta Merlot dependem muito do seu terroir e da maturação da uva quando vindimada.
Nas regiões quentes desenvolve aromas de frutos pretos e vermelhos como ameixa, cereja preta, groselha preta, amora, framboesa e morango. São vinhos sedosos e de acidez moderada. Com a idade, desenvolvem aromas a compota de frutos, notas de bolo de frutas cristalizadas, alcaçuz e chocolate, evoluindo para toques de especiarias como canela, baunilha, noz-moscada e cravo, trufa negra, e vegetação rasteira.
Nas regiões mais frias têm taninos mais firmes, mais acidez e tendem a desenvolver aromas a pequenos frutos vermelhos como framboesa ou morango. Também podemos encontrar notas de mentol e herbáceas.
Embora possam ser consumidos jovens, estes vinhos envelhecem muito bem.
Fonte: oenologie.fr, bordeaux.com

Moreto
Apesar de continuar a ocupar uma área proeminente no Alentejo, a casta Moreto encontra-se em franca regressão, residindo nas regiões de Reguengos, Redondo e, sobretudo, na Granja-Amareleja, zona onde a casta mais se evidencia e onde continua a produzir tintos de talha.
A casta Moreto nasceu do cruzamento natural entre a espanhola Cayetana Blanca (Sarigo) e a Alfrocheiro e provavelmente o Alentejo é o seu local de origem. É uma casta vigorosa e produtiva, que se adapta facilmente às temperaturas elevadas e à forte insolação, características que elucidam sobre a sua propagação no Alentejo. Apresenta cachos de tamanho pequeno e bagos de tamanho médio e arredondados, oferecendo teores de açúcar baixos, com baixo potencial alcoólico, vaga expressão aromática e pouca capacidade de guarda.
Os vinhos produzidos com a casta Moreto são normalmente utilizados para apimentar lotes com as castas Trincadeira, Aragonez e Tinta Caiada. Com aromas bastante balsâmicos e de frutos vermelhos, os varietais desta casta são fáceis de beber, pouco estruturados e com uma intensidade e persistência de prova mediana. Outrora, esta casta produziu vinhos robustos, com um perfil muito diferente por isso talvez ainda não esteja totalmente explorada.
Sinonímia: Moreto do Alentejo, Tinta de Alter
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Moscatel Galego Roxo
Nasceu fruto de uma mutação genética da casta Moscatel Galego, subsistindo em pequenas quantidades na Península de Setúbal.
Dá corpo a um vinho generoso semelhante no estilo ao “Moscatel de Setúbal”, de aromas e sabores ainda mais complexos.
Comparativamente à casta Moscatel Galego os cachos e bagos são mais pequenos, diferenciando-se pela cor rosada exótica.
Os vinhos generosos produzidos pelo Moscatel Galego Roxo proporcionam elevado grau de doçura, apresentando-se muito aromáticos e de sabor persistente.
Sinonímia: Moscatel Roxo
Fonte: Wines of Portugal

Nebbiolo
Nebbiolo é uma casta autóctone italiana, nobre e famosa, responsável pelos vinhos de qualidade superior do noroeste de Piemonte, em Itália, em particular os de Barolo e Barbaresco. Muito cobiçados, alguns exemplares podem atingir preços muito elevados.
É uma casta extremamente antiga referenciada pela primeira vez no século XIII. O nome Nebbiolo deriva da palavra nebbia que em italiano significa “nevoeiro”. Pensa-se que foi assim batizada devido à floração branca que ocorre na época das vindimas e que se assemelha a uma névoa. Outros pensam que se deve ao facto de ser colhida no final de outubro quando as vinhas se encontram envoltas em nevoeiros matinais.
A Nebbiolo é muito caprichosa e está intimamente ligada às características do solo por isso, dependendo do local onde é cultivada, pode ter sabores muito diferentes. A excelência da produção de Nebbiolo concentra-se no Langhe e mais precisamente nas zonas de Barolo e Barbaresco (Piemonte) e em Valtellina (Lombardia). Fora destas áreas, as uvas Nebbiolo já não têm a profundidade, força e nobreza que as tornam únicas no mundo por isso praticamente só são aqui cultivadas.
Os Nebbiolo são vinhos ousados, encorpados, tânicos, com acidez elevada e fresca. De cor vermelho rubi quando jovens evoluem rapidamente para laranja granada. Importa sublinhar que a sua intensidade aromática depende não só da região, mas também das técnicas de vinificação e do envelhecimento, que é essencial para que a casta expresse toda a sua complexidade.
Alguns dos dos extraordinários aromas associados a esta casta:
Frutas vermelhas: Cereja e framboesa são as notas frutadas frescas e vibrantes mais reconhecidas nos Nebbiolo mais jovens.
Frutas escuras: Com o tempo os aromas de frutas vermelhas podem evoluir para frutas escuras como amora e ameixa.
Floral: Descritos muitas vezes como perfumados os Nebbiolo podem exibir notas a rosas, violetas ou a flores secas.
Especiarias: Há medida que o vinho envelhece aparecem aromas a especiarias como canela, cravo ou pimenta preta.
Terrosos: Solo de floresta outonal, vegetação rasteira, terra húmida, húmus, são alguns dos descritores utilizados para descrever o caráter terroso que estes vinhos podem apresentar com a evolução.
Balsâmicos: Resina de pinheiro ou eucalipto podem aparecer nos exemplares mais elegantes com longo envelhecimento em garrafa.
Complexo: Trufa, cogumelos, couro, alcaçuz, fumado são alguns dos aromas que podemos encontrar nos vinhos mais complexos.
Muito associado aos vinhos Barolo, conhecidos pela sua intensidade e longevidade, são os aromas distintivas de alcatrão.
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso

Negra Mole
É uma casta autóctone e a segunda mais antiga de Portugal. Ainda está pouco estudada uma vez que está limitada à região do Algarve. Está, no entanto, disseminada por toda a região algarvia e é a sua casta mais emblemática. Outrora foi a mais plantada.
Sendo autóctone estava perfeitamente adaptada ao terroir e era muito produtiva e resistente a doenças. Integrava os lotes dos famosos Claretes e Palhetes algarvios.
A casta Negra Mole tem uma característica especial: uma única cepa pode ter uvas de todas as cores.
Origina vinhos de cor muito aberta, de rosado a rubi, frescos, ligeiros de sabor, mas bastante aromáticos, com muita fruta vermelha e muito elegantes.
Fonte: Wines of Portugal, Vine to Wine Circle

Nero d’Avola
Esta variedade secular de uva é originária da Sicília. Traduzido para português o seu nome significa “Negro de Avola” e evoca a cor muito escura e distintiva destas uvas e a cidade de Avola localizada na costa sudeste da Sicília. Nero d’Avola, também conhecida pelo nome Calabrese, encontra-se plantada por toda a Sicília embora as principais zonas de produção sejam em Eloro, Pachino e Avola.
O vinho produzido com esta casta tem uma cor rubi brilhante que vai evoluindo para uma cor mais intensa, com tonalidades roxas que tendem a granada. É encorpado, tânico e adequado ao envelhecimento.
Esta casta é intrinsecamente ligada às características do solo, por isso consoante o local onde é plantada adquire diferentes aromas. No sudeste da ilha Siciliana os vinhos são mais elegantes com notas de frutos secos. Os vinhos da zona central têm aromas de fruta vermelhos, como cereja, framboesa, amora silvestre e ameixa e, são balsâmicos e picantes. Na Sicília ocidental são mais encorpados e intensos. Com o envelhecimento desenvolvem aromas de cacau, chocolate, alfarroba, canela, couro e alcaçuz.
A estrutura dos vinhos Nero d’Avola harmoniza bem com pratos ricos em sabor. Nas versões mais leves e menos envelhecidas podem combinar com pratos ricos de peixes como o atum.

Padeiro
A casta Padeiro ou Padeiro de Basto é uma casta portuguesa originária do Minho. Está plantada em toda a região do Vinho Verde com exceção de Monção e dos concelhos mais a sul e a sub-região de Basto é a sub-região onde a variedade tem maior presença. Resulta de um cruzamento natural entre as castas Mourisco Branco e Vinhão.
Dá origem a vinhos de cor rubi a granada, com aromas delicados e florais e que lembram frutos vermelhos. Na boca são equilibrados e harmoniosos. É geralmente utilizada em vinhos tintos de lote e em rosés.
Sinonímia: Tinto Matias, Tinto-Cão, D. Pedro
Fonte: CVR Vinho Verde, “As castas do vinho” de João Afonso

Pedral
Casta tinta de qualidade, recomendada na Sub-Região de Monção, área onde se cultiva mais intensamente. Originária do Minho é provavelmente o resultado do cruzamento natural entre a Alvarinho e outra variedade local.
Produtiva e rústica dá origem a vinhos de cor rubi clara a rubi, aromáticos, muito harmoniosos e fáceis de beber.
Sinonímia: Padral, Cainho, Cainho dos Milagres, Cainho Espanhol, Alvarinho Tinto (Monção), Castelão (Amarante), Pégudo (Ponte de Lima), Perna de Perdiz (Ponte de Lima), Pardal (Castelo de Paiva)
Fonte: CIPVV, “As castas do vinho” de João Afonso

Petit Bouschet
Petit Bouschet é uma casta criada pelo francês Louis Bouschet na sua vinha em Mauguio, no departamento de Hérault, no ano de 1824. O seu filho, Henri Bouschet utilizou-a para criar outras castas, entre elas a Alicante Bouschet, a Grand Noir e a Morrastel Bouschet.
A altura em que foi mais plantada, foi no final do século XIX após a praga da filoxera que dizimou os vinhedos de toda a Europa. Nessa altura foi frequentemente utilizada com outras variedades para adicionar cor.
Á medida que a sua descendente, Alicante Bouchet, se foi tornando mais popular, a Petit Bouschet foi desaparecendo. Atualmente quase não é encontrada no país em que nasceu.
O vinho desta casta tem cor intensa, baixo teor de álcool e envelhece muito rapidamente. Por essa razão era essencialmente usada em vinhos de lote.

Petit Verdot
Originária dos Pirinéus, onde é conhecida por Lambrusquet, esta casta foi durante muito tempo plantada principalmente no Médoc, mas atualmente encontra-se também no Graves.
É uma casta fértil e produtiva, de maturação tardia. Dá ao vinho uma cor intensa, taninos ricos, muita estrutura, e poderosos aromas de violeta.
Quando jovens, os vinhos Petit Verdot podem assumir aromas a banana.
Os vinhos mais velhos podem exibir aromas a cereja preta, ameixa, pequenos frutos vermelhos, notas de especiarias, notas florais como lavanda e violeta, mentol e alcaçuz, entre outros.
Em Portugal, o Petit Verdot é cultivado predominantemente no Alentejo. Acompanham muito bem alimentos ricos em proteína e em gordura.
Sinonímia: Verdau, Héran, Herrant, Lambrusquet, Acheri Moyeta, Carmelin
Fonte: bordeaux.com, lescepages.free.fr

Pinot Noir
É uma casta nativa da região francesa da Borgonha com a qual são produzidos alguns dos vinhos mais icónicos do mundo. É uma casta muito antiga. Os primeiros registos escritos, sob o nome Pinot Noir ou Plant Fin, datam de 1375. O seu nome foi inspirado na forma apertada e compacta dos seus cachos a fazer lembrar uma pinha.
É uma uva muito delicada e sensível. Tem a capacidade de interpretar as caraterísticas do terroir. Para expressar toda a sua complexidade necessita de um clima norte continental. Os solos calcários da Borgonha são o seu terroir de eleição, expressando-se aqui como em nenhum outro lugar.
A casta Pinot Noir produz vinhos com uma variedade de aromas ligados ao terroir de onde provém. Pode produzir vinhos mais densos ou mais elegantes e delicados. Quando jovem os vinhos de Pinot Noir são de um vermelho rubi intenso e brilhante que pode tender para o vermelho com reflexos roxos. Com a idade adquirem cores mais acastanhadas.
Os aromas são de frutos vermelhos frescos como groselha preta, cereja, amora silvestre, framboesa, morango, com notas picantes como pimenta preta e canela. Notas como café ou fumo também podem ser encontradas.
Com a idade a fruta fresca dá lugar a aromas mais compotados e surgem requintadas notas terrosas como trufas, cogumelos e vegetação rasteira bem como notas animais como couro, pele, entre outros.
Na boca os vinhos são frescos, com boa acidez, taninos presentes, mas delicados e final complexo.
Sinonímia: Blauer Burgunder (Áustria), Blauer Spätburgunder (Alemanha), Modri pinot (Eslovénia), Pinot Nero (Itália), Pinot crni (Croácia) e Rulandské modré (República Checa, Eslováquia)
,Ramisco
É uma variedade de uva nativa da zona de Colares. Não existe Ramisco em mais nenhum local do mundo. A sua forma de cultivo é dura e esgotante, assente em solos de areia profundos, muito semelhantes à areia da praia, plantada em pé-franco, sem necessidade de recorrer a porta-enxertos. Quando a filoxera chegou e dizimou a maior parte dos vinhedos da Europa, não conseguiu penetrar nas raízes fundas das videiras plantadas em “chão de areia” de Colares, que continuou a produzir muito vinho que ganhou fama, desde meados do século XIX até à década de 1950.
A partir dessa década, as vinhas de Colares, implantada junto ao mar, sofrem com a pressão urbanística e a construção civil, correndo perigo de extinção nos anos de 1990. Algum investimento por agentes locais e pela Fundação Oriente impediram que desaparecesse. O interesse dos mercados internacionais por vinhos raros também contribuiu para a recuperação desta casta.
As características mais distintivas da casta Ramisco são os taninos fortes e a acidez natural elevada. Tem uma aptidão especial para criar vinhos com uma enorme capacidade de guarda, vinhos que necessitam de muito tempo de estágio em garrafa devido à quantidade de taninos. Aromas de cogumelos, terra molhada, resina e madeira de cedro são alguns dos requintados descritores deste vinho secular.
Sinonímia: Ramisco de Colares, Ramisco Tinto, Ramisco Enforcado
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso, Vine to Wine Circle

Rufete
A casta Rufete está particularmente bem-adaptada à Beira Interior, sendo popular nas regiões do Douro, Dão, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Cova da Beira.
Resulta de um cruzamento natural entre as castas Tinta Negra da Madeira e a Peripinhão Portalegre, esta última provavelmente uma casta de origem andaluza. Pensa-se que este cruzamento natural tenha ocorrido a norte da Cova da Beira, tanto do lado português como do lado espanhol.
É uma casta caprichosa e exigente, reivindicando condições muito particulares para poder dar o melhor de si. Sensível ao míldio e oídio, é uma casta produtiva, com cachos e bagos de tamanho médio. Por ser uma variedade de maturação tardia, tem dificuldade em madurar na plenitude, antes das chuvas do equinócio. Porém, quando amadurece bem, compõe vinhos aromáticos, encorpados, frutados e delicados, com um bom potencial de envelhecimento em garrafa.
Os aromas são a frutos pretos do bosque como mirtilos, groselhas pretas e amoras, com notas herbáceas a dar um toque amargo.
O estilo de vinho Rufete mais claro, adequado para ser consumido jovem, tem aromas a framboesa e morango com notas florais e vegetais.
Sinonímia: Rifete, Tinta Pinheira, Preto Rifete, Pinot Aigret
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso, Wines of Portugal

Petit Bouschet
Petit Bouschet é uma casta criada pelo francês Louis Bouschet na sua vinha em Mauguio, no departamento de Hérault, no ano de 1824. O seu filho, Henri Bouschet utilizou-a para criar outras castas, entre elas a Alicante Bouschet, a Grand Noir e a Morrastel Bouschet.
A altura em que foi mais plantada, foi no final do século XIX após a praga da filoxera que dizimou os vinhedos de toda a Europa. Nessa altura foi frequentemente utilizada com outras variedades para adicionar cor.
Á medida que a sua descendente, Alicante Bouchet, se foi tornando mais popular, a Petit Bouschet foi desaparecendo. Atualmente quase não é encontrada no país em que nasceu.
O vinho desta casta tem cor intensa, baixo teor de álcool e envelhece muito rapidamente. Por essa razão era essencialmente usada em vinhos de lote.

Sangiovese
Sangiovese é uma casta antiga italiana que remonta ao século XVI. Uns dizem que a casta teve origem na era Etrusca outros indicam a época romana, mas foi só no século XVIII que se tornou conhecida. Hoje, é considerada a uva que define a Itália e o seu terroir favorito são a Toscana, Úmbria e Campânia.
Os vinhos mais famosos produzidos com 100% da Sangiovese são provenientes de Montalcino, uma cidade medieval situada nas encostas a sul de Siena. É nesta cidade que são produzidos os famosos Brunello di Montalcino e Rosso di Montalcino. Os vinhos Chianti, produzidos com 90% de Sangiovese são outro estilo apreciado. Os Sangiovese de estilo mais tradicional têm uma acidez vibrante e são envelhecidos em barricas muito usadas para manter os sabores herbáceos da casta. Os de estilo mais moderno têm uma acidez mais baixa e são envelhecidos para que a barrica transmita sabores a baunilha. Os taninos e a acidez variam de moderada a alta com tons frutados.
A Sangiovese tem hoje vários clones por isso adquire aromas diferentes consoante a região onde é plantada. Os aromas podem ser frutados, florais, especiados e herbáceos. Os Brunello exibem aromas de frutas vermelhas, compotas, aromas florais e terrosos (vegetação rasteira, cogumelos). Com o envelhecimento adquirem notas a especiarias, fumo, tabaco e alcatrão. Os Chianti tendem a exibir aromas a cerejas, frutos vermelhos maduros e notas herbáceas.
De uma forma geral harmonizam bem com carnes vermelhas grelhadas, pratos de massa, e queijos curados. Os menos encorpados combinam com pizzas e pratos mais leves da cozinha italiana com molhos à base de tomate.

Syrah
Syrah é a casta mais emblemáticas da parte norte do vale do Ródano (Côtes du Rhône), mas de grande difusão mundial. É cultivada desde França até à Austrália onde é conhecida como Shiraz.
Em Portugal tem o seu expoente máximo na região do Alentejo e é uma das castas estrangeiras que melhor se adaptou. Muito se debateu a sua origem, mas análises recentes indicam que a Syrah é uma uva resultante de um cruzamento natural entre Mondeuse Blanche e Dureza, duas castas oriundas de regiões próximas dos Alpes Franceses. O cruzamento terá ocorrido provavelmente em Isère, norte do vale do Ródano, onde eram cultivadas.
Os vinhos obtidos têm uma cor intensa. De aroma complexo sáo vinhos tânicos, pouco ácidos, alto teor alcoólico e estruturados. São vinhos muito adequados para envelhecer durante muitos anos. Os sabores predominantes são frutos pretos e vermelhos principalmente framboesa, groselha, mirtilo e amora, aromas florais de violeta, e notas picantes como trufa, pimenta, alcaçuz, mentol. Com o envelhecimento o seu característico aroma a violeta evolui para notas mais complexas a almíscar, trufa, couro, pimenta ou alcaçuz. Estes vinhos têm algumas diferenças consoante a região em que são produzidos sendo mais frutados nas regiões mais quentes ou com sabores mais picantes em climas mais frios.
Sinonímia: Shiraz, Serine
,Tannat
Pensa-se que a Tannat é originária da região Basca de França estando muito ligada à região de Madiran localizada no sopé dos Pirinéus no sudeste de França. Cultivada desde os séculos XVII e XVIII a Tannat foi utilizada em vinhos de blend com Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc.
Em 1870 um imigrante basco chamado Pascual Harriague levou a casta para o Uruguai onde se adaptou e floresceu tornando-se a casta nacional do Uruguai e sendo responsável por cerca de um terço da sua produção total. A Tannat adquire um perfil de sabor diferente consoante o terroir de onde provém por isso é sempre uma uva desafiante.
Os vinhos varietais da Tannat são secos, ricos em tanino e exibem toda a complexidade da fruta escura. Necessitam de estagiar em madeira e depois em garrafa durante muitos anos. Com o tempo desenvolvem aromas de vegetação rasteira, especiaria e notas de fumo. Quando misturados com outras castas, como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, e mesmo Pinot Noir, ou Viognier tornam-se mais arredondados.
Em termos de harmonização a Tannat tende a combinar com pratos estruturado. Fica bem com quase todo o tipo de carnes. O seu carácter fumado torna-a excelente com assados, grelhados, pratos de caça e queijos envelhecidos.

Tinta Barroca
É uma das castas mais plantadas no Douro, inscrita no grupo restrito das cinco castas recomendadas para a elaboração de Vinho do Porto. Resulta de um dos cruzamentos entre a Marufo e a Touriga Nacional. É uma casta pródiga no rendimento, generosa no grau alcoólico, conseguindo combinar produções elevadas com teores de açúcar generosos, o que é uma mais-valia para os produtores de vinho do Porto. Convive mal com os excessos de calor e stress hídrico, passificando com facilidade em sobrematurações precoces. Regular na produção e resistente a doenças e pragas, dá origem a vinhos bem compostos de cor, macios, mas rústicos e pouco complexos. Raramente é engarrafada em varietal, estando presente na maioria dos lotes durienses.
Sinonímia: Tinta Gorda, Tinta Grossa, Tinta Vigária
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Tinta Caiada
Apesar de marcar presença em diversas regiões vitícolas portuguesas, visível sobretudo nas vinhas mais velhas, a verdadeira expressão da casta Tinta Caiada tem lugar no Alentejo, região onde no passado chegou a gozar de alguma projeção. Apesar de ser em Portugal que a casta tem mais protagonismo terá nascido no nordeste de Espanha na região de Aragão. É uma casta problemática, muito sensível à podridão, necessitando de climas muito quentes e secos para poder amadurecer convenientemente, apresentando cachos e bagos de tamanho médio.
Os vinhos têm cor intensa, boa acidez e aromas agradáveis a frutos vermelhos, acompanhados por notas vegetais. Por regra, dá origem a vinhos de consumo rápido.
Sinonímia: Bonvedro, Monvedro do Algarve, Bonifaccencu, Parraleta
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Tinta Carvalha
A Tinta Carvalha é uma casta autóctone portuguesa originária da região de Trás-Os-Montes. O Douro é a região onde é mais plantada, mas também está presente no Dão, Beira Norte e Trás-os-Montes. Produz vinho de cor pouco carregada, de rosado até rubi, macio e agradável na boca, com aroma a frutos vermelhos, mas pouco intenso, de sabor possivelmente um pouco áspero, sem persistência. O potencial de envelhecimento é baixo, mas com interesse como casta de lote. É pouco adaptável a outras regiões, como a Beira Interior ou às zonas marginais de Trás-os-Montes, apresentando vinhos menos favoráveis. Tem reduzido interesse fora da sua região de origem e em anos menos favoráveis.
Sinonímia: Carvalha, Lobão, Preto Gordo
Fonte: Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Tinta Francisca
A Tinta Francisca é uma casta autóctone portuguesa originária da região de Trás-Os-Montes. O Vale do Douro é a região onde se encontram mais vinhedos e está muito presente nas vinhas velhas do Douro. É uma casta que resiste muito bem às altas temperaturas por isso está bem preparada para fazer face às alterações climáticas. Dá origem a vinhos aromaticamente atraentes, elegantes e especiados, com taninos e prova fina e distinta.
Sinonímia: Tinta de França, Tinta Francesca, Tinta Franceza
Fonte: Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso
,Tinta Miúda
A Tinta Miúda uma casta de origem mediterrânea. Existe em países outrora pertencentes ao Império Romano, suspeitando-se de que seja proveniente desta época. Em Espanha e na Austrália é chamada “Graciano”, em França é “Morrastel” e na Califórnia é “Xeres”. Provavelmente foi introduzida em Portugal a partir do Norte de Espanha e foi plantada pela primeira vez na Quinta da Galhorda, em Sobral de Monte Agraço, por um Padre chamado António. Por esse motivo o nome popular desta casta é “Tinta do Padre António”. É uma casta pouco plantada talvez por ser muito sensível a doenças como a escoriose, o míldio e o oídio e requer temperaturas elevadas e Verões prolongados.
Os vinhos são de cor intensa, estruturados, ricos em taninos, e com aromas frescos e especiados de fruta negra. Têm adstringência que se vai atenuando com o envelhecimento, tornando-se vinhos muito agradáveis, com destaque para o bouquet que exibem. A qualidade de vinho pode ser muito elevada quando há alguma sobrematuração das uvas com a presença de passas. Medianamente alcoólicos têm boa capacidade de envelhecimento com aptidão para envelhecimento em barrica. Com a uva pouco madura produz vinhos frescos com notas vegetais e de frutos silvestres.
Sinonímia: Cagnulari (Itália), Graciano (Espanha), Graciano Bastardo Nero (Espanha), Graciano Gros Nègrette (França), Minostello (Córsega), Morastel, Morrastel (Austrália, França), Tinta do Padre António, Xerez, Tintilla (Espanha), Xeres (Califórnia)
Fonte: Vine to Wine Circle, “As castas do vinho” de João Afonso

Tinta Negra
A Tinta Negra está presente no quarto sudoeste ibérico e nas ilhas atlânticas portuguesas e espanholas. É provavelmente originária do sudoeste da Ibéria e resulta de um cruzamento natural entre as castas Prieto Picudo Tinto e Savagnin Blanc. É a variedade tinta mais plantada na ilha da Madeira onde terá chegado por volta do século XVIII, em pleno auge comercial de vinho Madeira. Muito resistente assumiu um papel preponderante no período pós-filoxera. Ganhou popularidade pela enorme plasticidade e versatilidade, pela produtividade farta, e pela elevada resistência a doenças, ganhando o epíteto de casta camaleão. Como os vinhedos das castas nobres da Madeira foram dizimados e substituídos por híbridos americanos, a Tinta Negra passou a ser o único vínculo entre a Madeira e o seu vinho. Mesmo depois de os vinhedos das castas tradicionais serem recuperados a Tinta Negra continuou a ter o estatuto de única casta tinta autorizada para a produção de vinho Madeira ao lado das nobres uvas brancas Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia Cândida.
Os cachos da Tinta Negra são de tamanho médio a grande, formados por bagos de coloração não uniforme que varia entre o negro-azulado e o rosado.
Dá origem a vinhos de cor rosada ou aloirada, de oxidação prematura, esbatidos na concentração cromática, aromaticamente neutros e algo indistintos. O seu perfil organolético é definido pela forma como é vinificado e envelhecido. Os bons Tinta Negra são vinhos profundos, salinos e iodados, com um final interminável e com um enorme potencial de envelhecimento.
Sinonímia: Molar (Colares), Rabo de Ovelha Tinto (Beira Interior), Saborinho (Açores), Tinta Porto Santo
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso

Tinto Cão
Está presente no Douro desde o século XVIII, sabendo-se que a sua presença no Dão é bastante mais recente. Por ser quase economicamente inviável, ao oferecer uma produtividade incrivelmente baixa, a sua sobrevivência já esteve em risco. Possui cachos muito pequenos, apresentando-se como uma variedade de maturação tardia. A sua película densa e grossa garante-lhe uma resistência adequada aos ataques de míldio e podridão. A boca evidencia a grandeza da casta, visível no equilíbrio perfeito entre taninos, acidez e açúcar, na suavidade e dureza dos taninos, dando corpo a vinhos florais, densos, sólidos e duradouros. É frequentemente lotada com as castas Touriga Nacional e Aragonez, entre outras. Produz vinhos carregados de cor, com aromas delicados, florais e a frutos silvestres. Tem potencial para produzir tintos elegantes e longevos.
Sinonímia: Castellana Negra, Tinta Cão
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Touriga Franca
É a casta mais plantada na região do Douro, ocupando atualmente cerca de um quinto do encepamento total da região. A sua popularidade fundamenta-se na extrema versatilidade, produtividade, equilíbrio e regularidade da produção, bem como na boa sanidade geral. Desenvolve-se num ciclo vegetativo longo, proporcionando vinhos ricos em cor. Com cachos médios ou grandes, de bagos médios e arredondados, a Touriga Franca é um dos pilares estruturais dos lotes durienses, assomando de forma decisiva no Vinho do Porto e nos vinhos de mesa. Graças à forte concentração de taninos, contribui para o bom envelhecimento dos lotes onde participa. Oferece fruta farta, proporcionando vinhos de corpo denso e estrutura firme, mas, simultaneamente, elegantes. Por regra os vinhos sugerem notas florais de rosas, flores silvestres, amoras e esteva, sendo regularmente associada com as castas Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Sinonímia: Albino de Sousa, Touriga Francesa, Tourigo Francês
Fonte: Wines of Portugal

Touriga Fêmea
Resulta de um cruzamento entre a Touriga Nacional e a Malvasia Fina e o primeiro registo escrito data de 1889. Morfologicamente idêntica à Touriga Nacional é igualmente aromática, mas menos encorpada e mais feminina, originando vinhos mais elegantes. Os aromas são de frutos vermelhos silvestres e notas florais a violeta com alguma complexidade. Na boca são frutados, com acidez equilibrada, e alguma persistência. Tem potencial de envelhecimento médio/alto.
Sinonímia: Tinta Coimbra, Touriga Brasileira, Tourigo Fêmea
Fonte: “As castas do vinho” de João Afonso
,Touriga Nacional
No passado, chegou a dominar a região do Dão, tendo sido igualmente relevante no Douro antes da invasão da filoxera, sabendo-se que hoje ambas as regiões reclamam sua paternidade. É uma casta nobre e muito apreciada em Portugal, a casta mais elogiada, estando hoje disseminada pelo Alentejo, Lisboa, Bairrada, Setúbal, Tejo, Algarve e Açores. A pele grossa, rica em matéria corante, ajuda a obter cores intensas e profundas. A abundância dos aromas primários é uma das imagens de marca da casta, apresentando-se simultaneamente floral e frutada, sempre intensa e explosiva. Com uva bem madura, produz vinhos ricos, concentrados, de aromas balsâmicos, com fruta preta, ervas aromáticas e violetas. Pouco produtiva, é capaz de produzir vinhos equilibrados, com boas graduações alcoólicas e excelente capacidade de envelhecimento.
Sinonímia: Preto Mortágua (Dão, Setúbal), Tourigo (Dão), Touriga Fina (Douro), Tourigão
Fonte: Wines of Portugal e “As castas do vinho” de João Afonso

Trincadeira
Especialmente popular nas regiões do Alentejo e Douro, onde é designada por Tinta Amarela. É uma casta difícil, especialmente vigorosa, necessitando de refreio permanente e cuidados extremos no controle da produção. Os rendimentos são, por regra, elevados, mas irregulares e imponderáveis. Caracteriza-se por ter cachos médios e muito compactos, mostrando-se extremamente sensível às doenças e à podridão, encontrando-se bem-adaptada ao clima seco do Alentejo e partes do Ribatejo, regiões onde frutifica exemplarmente.
Os vinhos são tendencialmente florais, mais vegetais quando a maturação é deficiente, ricos em cor e acidez, ligeiramente alcoólicos e com boas condições para envelhecer bem em garrafa. Frescos e aromáticos têm uma vertente balsâmica e especiada mais importante que a do fruto que se encontra bem temperado com notas de paprika, pimenta, cravinho, canela ou pimento verde. Quando jovens são percetíveis notas de ameixa passa. Com a evolução desenvolve aromas de compotas e uma enorme complexidade e elegância. No Alentejo é frequentemente combinada com a casta Aragonez.
Sinonímia: Tinta Amarela, Trincadeira Preta, Mortágua (Torres Vedras), Preto Martinho (Arruda), Espadeiro, Murteira (Setúbal), Castiço (Aveiras), Crato Preto (Algarve), Crato Tinto
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso, Vine to Wine Circle

Vinhão
As suas origens são inegavelmente minhotas, tendo posteriormente emigrado para a região do Douro, onde é conhecida como Sousão. É a cor que singulariza e diferencia o Vinhão. De cachos de tamanho médio com bagos médios e uniformes de cor negro-azulada, produz vinhos pretos, escuros e opacos, fechados e quase impenetráveis à luz. Foram estas características tão peculiares que a tornaram tão apetecível no Douro, graças à necessidade de extrair rapidamente a cor para o Vinho do Porto.
É a casta tinta mais cultivada na região do Vinho Verde, oferecendo vinhos rústicos, de acidez muito elevada, notórios pela acidez inquieta. Tem aromas a cereja, frutos silvestres e a verde do engaço.
Sinonímia: Espadeiro de Basto, Negrão, Sousão, Tinto Antigo
Fonte: Wines of Portugal, “As castas do vinho” de João Afonso

Zinfandel
É uma casta muito cultivada e muito popular nos Estados Unidos da América. Desconhecia-se a sua origem até que um teste de ADN revelou que era idêntica à casta italiana Primitivo e à casta Tribidrag da Croácia, de onde a Zinfandel é de facto oriunda. Durante o século XV a era comercializada em Veneza a preços elevadíssimos. Chegou a Boston no ano de 1829 vinda de Viena e foi plantada pela primeira vez na América do Norte, em Napa Valley, em 1857. O vinho produzido foi tão bem recebido que o cultivo desta casta alastrou rapidamente, tornando-se numa das uvas mais cultivadas na América.
A Zinfandel origina um vinho tinto rico, mas só 15% da produção dos Estados Unidos da América produz esta variedade. O restante é dedicado à produção de um vinho rosé encorpado chamado de Zinfandel Branco.
Os Zinfandel produzidos em climas quentes têm mais aromas de fruta preta e pimenta. Os Zinfandel provenientes de climas mais frios têm mais sabores de fruta vermelha. Os descritores de aromas mais comuns são framboesa, cereja, amora, ameixa, geleia de ameixa, groselha preta, figos com notas de alcaçuz, anis, pimenta preta e coentro. Com o envelhecimento em barrica pode exibir aromas de baunilha, fumo, coco, caramelo e a especiarias doces como canela. Com a idade desenvolve aromas terciárias como tabaco, cedro, couro e chocolate.
