Nuno Mira do Ó
Filosofia
“As Uvas São O Que Mais Importa”
Criar boas uvas, colhê-las no momento certo e vinificar de forma pouco interventiva, procurando chegar aos vinhos que acreditam melhor espelhar o seu terroir. É isso que tentam fazer, ano após ano, seja com o Arinto em Bucelas, seja com o Encruzado, Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional no Dão.
A viticultura desempenha um papel crucial. Todas as decisões tomadas ao longo do ano vitícola refletem-se no copo de vinho — e isso é algo verdadeiramente apaixonante.
Aqui, a enologia consiste na escolha das melhores técnicas de vinificação que lhes permitam interpretar da melhor forma as diferentes uvas, com uma intervenção minimalista, mas mantendo o controlo dos processos em todas as fases.
Procuram obter vinhos fiéis às suas origens, elegantes e frescos, que proporcionem prazer e saibam envelhecer graciosamente.
As Vinhas
Na região do Dão, as vinhas localizam-se em São João de Lourosa, entre Viseu e Silgueiros. Trata-se de um planalto a 500 metros de altitude, na margem direita do rio Dão, tendo a Serra do Caramulo, a noroeste, e a Serra da Estrela, a sudeste, como principais influências paisagísticas e climáticas.
Aqui, a rocha-mãe é o granito, como na maioria da região, mas com uma grande riqueza de argila, que permite um maior equilíbrio das vinhas nos anos mais secos e contribui para a obtenção de vinhos com uma textura mais rica e maior profundidade.
A casta branca de eleição é o Encruzado. Nas castas tintas, a aposta recai sobretudo em lotes de Jaen, Alfrocheiro, Baga, Touriga Nacional e Tinta Pinheira.
Em Bucelas, a apenas 20 km a norte de Lisboa, as vinhas localizam-se na zona do Freixial e beneficiam de um clima muito particular, com uma marcada influência atlântica, embora protegidas no interior do vale. Os solos são argilo-calcários.
Aqui, fala-se sobretudo de vinho branco e a casta que impera é o Arinto, uma das mais plantadas em Portugal, mas que encontra em Bucelas o seu berço e uma das suas expressões mais emblemáticas.
Vinificação
Nos Encruzados utilizam principalmente barricas e tonéis usados, sem adição de leveduras e com fermentações muito lentas. Normalmente, os vinhos são engarrafados ao fim de cerca de 10 meses de estágio em madeira, seguindo-se um período de estágio em garrafa.
Nos tintos, utilizam uma percentagem variável de cachos inteiros com engaço. Alguns são fermentados em lagar, com pisa a pé, e outros em cuba, procurando sempre uma extração pouco forçada.
Estagiam em tonéis e barricas, normalmente durante cerca de 20 meses, antes de serem engarrafados.
Nuno Mira do Ó é, simplesmente, um produtor apaixonado por vinhos autênticos, capazes de transmitir o terroir que lhes dá origem. Vinhos feitos com castas autóctones, com intervenção mínima e respeito pela natureza, com potencial de guarda e, acima de tudo, capazes de proporcionar prazer a quem os bebe.
Engenheiro Agrónomo e Enólogo, começou a fazer vinhos em 2001 e a percorrer vinhas de norte a sul do país, procurando compreender os solos, os climas, as castas e as práticas culturais.
Em 2009, dá início ao seu primeiro projeto pessoal na Bairrada, juntamente com o amigo e também enólogo João Soares: o projeto V Puro.
Em 2012, inicia a sua aventura no Dão com o amigo e colega João Corrêa, num projeto que viria a ficar conhecido pelos vinhos Druida. Foi sob esta marca que surgiu o emblemático Encruzado, nascido das fantásticas vinhas do amigo Nuno Bico Matos.
Sob a marca Mira do Ó, a família de vinhos do Dão foi crescendo e, em 2016, estendeu-se a Bucelas, região onde Nuno tinha começado a fazer vinho e à qual sempre quis regressar.
Em 2018 surge um novo desafio, desta vez ao lado da amiga e produtora Joana Santiago. O projeto SOU Quinta de Santiago & Mira do Ó trouxe a oportunidade de explorar o terroir de Monção e Melgaço e de o interpretar de uma forma distinta.
Os três projetos — V Puro, Vinhos Mira do Ó e SOU Quinta de Santiago & Mira do Ó — nascem da mesma filosofia e da vontade de explorar novos caminhos, bem como de recuperar alguns já esquecidos, na interpretação das regiões e das uvas que consideram mais especiais.
Mas nascem, acima de tudo, de algo muito simples: da partilha e do prazer de fazer vinhos entre amigos.




