Quinta do Mouro
Situada às portas da cidade de Estremoz, a Quinta do Mouro pertenceu durante séculos à família Zagalos, uma das mais abastadas da região. Inserida na paisagem ampla e serena do Alentejo, onde dominam as grandes herdades, esta quinta singular distingue-se pela sua casa apalaçada do século XVIII, pelos jardins encantadores, caramanchões e tanques setecentistas que preservam o charme de outros tempos.
Em 1979, com apenas 26 anos, o destino de Miguel Louro foi decidido de forma improvável, numa mesa de póquer entre amigos, ao deparar-se com a escolha entre comprar um Porsche ou a Quinta do Mouro. A opção revelou-se decisiva. Após uma incursão malsucedida na pecuária, os primeiros hectares de vinha seriam plantados em 1989, dando início a um percurso que faria da Quinta do Mouro um dos produtores mais icónicos do Alentejo.
A Vinha
Com o objetivo de criar grandes clássicos alentejanos, os primeiros 6 hectares de vinha foram plantados em 1989. Ao longo dos anos, através de sucessivas experiências e adaptações, Miguel Louro concluiu que o caminho para alcançar esse propósito passava por uma viticultura singular: rigorosa na escolha das castas e pouco convencional na condução das vinhas. Estas encontram-se maioritariamente implantadas em solos de xisto, de baixa produtividade e sem recurso à rega.
Atualmente, a Quinta do Mouro conta com 33 hectares de vinha, onde predominam as castas autóctones Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Trincadeira, Arinto, Antão Vaz e Verdelho, a par de algumas castas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Petit Syrah.
A Adega
Instalada no piso térreo da casa, a adega é o palco de uma abordagem única e arrojada, onde a ciência convive com a poesia. Em diálogo permanente — e por vezes em confronto — com os cânones da enologia contemporânea, Miguel Louro mantém práticas que considera essenciais: vindima manual em caixas de 18 kg, com criteriosa seleção de cachos na vinha; pisa a pé em lagares, com separação de castas; fermentações espontâneas com leveduras autóctones; utilização de barricas de carvalho francês e português; e uma filosofia marcadamente minimalista na adega, sempre com o objetivo de preservar a identidade e a essência do terroir de Estremoz.
Miguel Louro
Miguel Louro é a alma da Quinta do Mouro. A paixão pelo que faz é evidente na emoção com que fala dos seus vinhos. Exímio jogador de póquer, colecionador de antiguidades e médico dentista de formação, dedica hoje a maior parte do seu tempo às vinhas e ao vinho.
De personalidade forte e cativante, é conhecido pela frontalidade com que expressa as suas ideias e pelo gosto em contrariar consensos. Essa atitude reflete-se de forma clara nos vinhos que produz: atípicos, cheios de carácter e personalidade, frutos da inovação e da experimentação. Vinhos que recusam seguir tendências de mercado e que, guiados pelo seu bom (e por vezes mau!) génio, desafiam dogmas instituídos e surpreendem quem os prova.

