SUMIUS
O projeto Sumius nasce pela mão de Xavier Ferreira e da sua família, profundamente ligados à terra e com o propósito de recuperar e valorizar uma parte menos conhecida da história vitivinícola de Monção e Melgaço: as suas castas tintas tradicionais.
Muito antes de o Alvarinho se tornar a grande referência da sub-região, as castas tintas ocupavam um lugar de destaque na paisagem vitícola local. Há registos da sua importância desde o século XIII, numa época em que os vinhos de Monção e Melgaço eram reconhecidos pela sua frescura, elegância e delicadeza, chegando a ser exportados através da feitoria de Viana do Castelo.
Ao longo do século XX, e particularmente a partir da década de 1990, a modernização da viticultura e das adegas alterou profundamente esta realidade. O Alvarinho ganhou progressivamente protagonismo, afirmando-se como a casta emblemática de Monção e Melgaço, enquanto muitas das variedades tintas tradicionais foram perdendo expressão.
É precisamente este património que a Sumius procura preservar. Castas como Alvarelhão, Caínho, Pedral, Borraçal e Vinhão, hoje com uma presença muito mais reduzida nas vinhas da região, são encaradas como parte de uma herança vitícola que importa conhecer, estudar e manter viva.
Aliando o conhecimento transmitido entre gerações à investigação e ao conhecimento científico, a família continua a apoiar o estudo destas castas minoritárias e a trabalhar a vinha com uma forte ligação às práticas tradicionais.
As uvas são vindimadas manualmente, procurando respeitar as características de cada variedade e de cada parcela.
Mais do que recuperar castas antigas, a Sumius procura dar continuidade a uma identidade vitivinícola que faz parte da história de Monção e Melgaço, criando vinhos que expressem a autenticidade, a diversidade e o carácter deste território.
A Região dos Vinhos Verdes é profundamente marcada pela influência atlântica, responsável por uma das características mais reconhecíveis dos seus vinhos: a frescura.
As parcelas da Sumius encontram-se no vale do rio Mouro, na freguesia de Tangil, em Monção, integradas na sub-região de Monção e Melgaço. Aqui, a envolvência montanhosa, as amplitudes térmicas e uma maior influência continental criam condições climáticas particulares, distinguindo este território de outras zonas da Região dos Vinhos Verdes.
É neste microclima, marcado pelo encontro entre as influências atlântica e continental, que se encontram as castas tradicionais trabalhadas pela Sumius.
Em Monção e Melgaço, a vinha desenvolve-se numa paisagem marcada por encostas e socalcos, onde predominam os solos de origem granítica, pontualmente intercalados por manchas de xisto.
É neste contexto, e através da relação entre solo, clima, exposição e saber humano, que as castas brancas e tintas cultivadas pela Sumius encontram condições para expressar as características do território.
Um património vitícola construído ao longo de gerações, onde o conhecimento da vinha e o respeito pela matéria-prima continuam a desempenhar um papel fundamental na identidade dos vinhos.


