Terra Escrita
Dois jornalistas do Porto, Maria João Babo e Augusto Freitas de Sousa, radicados em Lisboa há mais de 25 anos, decidiram, em 2020, iniciar um projeto de produção de vinho na propriedade da família, situada na freguesia de Mancelos, em Amarante. Após dois anos de experiências com a casta Azal, lançaram, em 2023, o seu primeiro vinho com selo DOC Vinho Verde.
A pequena produção permite um acompanhamento próximo de todas as etapas, desde a vindima até à entrega do vinho ao consumidor. A vinificação está a cargo do amigo e enólogo Jorge Sousa Pinto que, com décadas de experiência nos Vinhos Verdes e noutras regiões, trabalha na sua adega, também localizada na freguesia de Mancelos.
A viticultura permanece nas mãos dos irmãos Herculano e José Sorte, ambos naturais de Mancelos, onde nasceram, cresceram e continuam ligados à vinha.
As raízes da família Freitas de Sousa em Amarante remontam a vários séculos. Há cerca de 200 anos, entre as várias propriedades pertencentes à família, a Quinta da Gateira, em Mancelos, foi escolhida como residência familiar. Foi aí que, já no século XX, viveram as irmãs Maria Cândida, Maria Beatriz e Maria Luísa, bem como os irmãos Miguel Augusto e Mário Augusto.
As vinhas fazem parte da história da família desde o século XIX. Após a filoxera, que praticamente as dizimou, foi Mário Augusto, entretanto formado em Engenharia, quem impulsionou a plantação de novas vinhas, com especial destaque para as castas Azal, nas brancas, e Vinhão, nas tintas.
Ao longo de todo o século XX, as uvas eram vinificadas na adega da quinta e o vinho era maioritariamente comercializado na região. As vindimas mantêm, ainda hoje, métodos muito semelhantes aos de outrora.
Os irmãos Herculano e José Sorte, cujos pais e avós sempre trabalharam na Quinta da Gateira, continuam, até aos dias de hoje, a cuidar das vinhas e a dar continuidade a esta história.

