D e uma forma simplista podemos dizer que um vinho biológico é um produto certificado segundo determinadas normas orgânicas definidas por lei.
O cumprimento rigoroso destes requisitos, que para os países da UE estão estabelecidos desde 2012, engloba todas as etapas inerentes à produção de um vinho, desde o tratamento da vinha, á vinificação e consequente utilização de produtos enológicos, até à rotulagem.
1. O Que Pode (e o Que Não Pode) Ser Utilizado na Vinificação Biológica?
As normas para a produção biológica de um vinho implicam a utilização de uvas cultivadas organicamente.
As práticas vitivinícolas da agricultura orgânica ou biológica obedecem a práticas muito diferentes, mas para que as vinhas se mantenham saudáveis isto não significa que não se utilizem aditivos.
Existe uma lista de produtos e substâncias que podem ser utilizadas, quer no tratamento das vinhas quer na vinificação, mas estes derivam de matérias-primas biológicas como, por exemplo, clara de ovo e gelatina alimentar.
2.
E Quanto aos Sulfitos?
Quanto ao uso de sulfitos, que funcionam como um conservante devido às suas propriedades antioxidantes e antibacterianas, e que vulgarmente são designados de dióxido de enxofre, são permitidos, mas em limites mais reduzidos.
Sulfitos permitidos nos vinhos biológicos:
- até 100 mg por litro para os tintos
- até 150 mg por litro para os vinhos brancos e rosés com <= 5g de açúcar por litro.
Nos vinhos convencionais esses limites são de:
- 150 mg por litro para os tintos
- 200 mg por litro para os brancos e rosés
No caso dos vinhos doces, em que a percentagem de sulfitos é superior á de um vinho de mesa, o valor por litro de um vinho biológico é sempre inferior a um vinho convencional doce em 30 mg por litro.
E, se um vinho tiver uma percentagem de sulfitos inferior a 10 mg por litro é considerado sem sulfitos e a legislação da UE autoriza a que não se inclua no rótulo a menção de “contém sulfitos”.
3.
Normas para o Vinho Biológico: UE vs. EUA
As normas de certificação biológica da UE e dos EUA diferem entre si e uma das diferenças mais limitativas é exatamente o uso de sulfitos que no caso dos EUA não são permitidos, o que restringe bastante os produtores.
Essa é também uma das razões para que não haja tantos vinhos biológicos nos EUA.
4.
Os Benefícios da Viticultura Biológica
A prática da viticultura biológica vai contribuir para o crescimento de todas as plantas e organismos animais (insetos, fungos, flora e fauna do solo etc) presentes na vinha e nas suas imediações.
Este crescimento da biodiversidade aumenta a defesa da vinha contra pragas e doenças e incrementa a saúde ecológica dos solos.
É muito comum a plantação de determinadas ervas e plantas para atrair insetos que vão eliminar os predadores da vinha e da uva.
O equilíbrio natural entre as espécies vai potenciar a saúde, produtividade, qualidade e resistência da vinha e de outras culturas.
Por exemplo, as joaninhas e as crisopas (inseto) controlam os afídios (ou pulgões), enquanto as cobras e os mochos são os predadores de pequenas pragas, como os ratos.
Outra técnica utilizada na viticultura biológica quando afetada pela traça-da-uva é a confusão sexual. Esta técnica consiste em colocar junto às vinhas difusores que libertam a feromona das fêmeas desta espécie confundindo o macho e reduzindo a sua reprodução.
5.
Sabor e Certificação
Em termos de aroma e sabor estes vinhos são mais intensos.
Apesar da percentagem de vinhos com certificação biológica ser pouco expressiva a boa notícia é que há cada vez mais produtores a adotar práticas de agricultura biológica, no entanto, não rotulam os seus vinhos como tal devido aos custos inerentes à certificação.
Os produtores europeus de vinhos biológicos certificados podem utilizar o logotipo europeu da agricultura biológica que deverá estar sempre associado ao código do Organismo de Certificação e à indicação de lugar (Agricultura Portugal ou Agricultura UE/não UE).
6.
Curiosidade
Sabes por que é que alguns vinhos biológicos têm uma joaninha no rótulo?
Se esteve atento a este artigo já percebeu que a presença de joaninhas é muito benéfica pois funcionam como agentes biológicos de controle de pragas especialmente para combater pulgões e cochonilhas.
Os viticultores e agricultores adoram a presença deste pequeno inseto.