Q uantas vezes não ouvimos a frase «Este vinho é a expressão fiel do terroir da região».

Mas afinal qual é verdadeiramente o significado de terroir e qual é a influência que tem para o vinho?

Tal como a palavra escrita, o conceito de terroir é originário de França e não tem tradução em nenhuma outra língua, daí ser utilizado por todas as regiões vínicas do mundo.

Na verdade, terroir é um conceito e não apenas uma coisa. Indica todo o ambiente físico e biológico que rodeia as vinhas e todas as práticas enológicas aplicadas que são responsáveis pelas características distintas dos produtos originários de determinado espaço.


Detalhando melhor podemos dizer que a identidade de um vinho é dada por quatro fatores: o clima, o solo, a topografia, e as práticas tradicionais.

1.

Clima

As regiões vinícolas podem ser basicamente divididas em dois tipos de clima: clima frio e clima quente.

As vinhas de climas frios amadurecem mais lentamente e têm níveis de açúcar mais baixo, não só devido ás temperaturas médias mais baixas, mas também devido ás diferenças entre máximas e mínimas durante os dias e as noites. De um modo geral os vinhos destes climas preservam a acidez natural e tendem a ser menos alcoólicos.

Por sua vez as vinhas dos climas mais quentes produzem uvas com um teor de açúcar mais elevado já que a sua maturação é mais rápida. Geralmente o teor alcoólico destes vinhos tende a ser mais elevado e retém menos acidez.

O desafio dos viticultores é exatamente o de equilibrar todos estes fatores por forma a que as uvas estejam maduras mas sem que haja perca do grau de acidez necessário para se fazer um bom vinho.

De salientar que, enquanto numa determinada localização geográfica podemos considerar que o solo e a sua topografia são fixos o mesmo não acontece com o clima. Na verdade uma vinha pode ter vários microclimas o que vai oferecer mais um desafio ao viticultor. Atualmente é muito comum efetuarem colheitas parciais exatamente por esse motivo.

2.

Solo

Existem centenas de tipos de solos e a composição da sua matéria rochosa e orgânica é absolutamente determinante.

Através das suas raízes as vinhas captam a água e os nutrientes necessários ao seu crescimento e desenvolvimento, logo, o que retiram dos solos vai afetar o seu formato, o seu sabor e os seus aromas.

As práticas agrícolas usadas, como por exemplo, os fertilizantes utilizados ou o plantio de outras espécies, também vão afetar a  composição do solo por isso este fator também tem de ser considerado.

3.

Topografia

A altitude, o relevo do terreno e a exposição solar onde se localizam os vinhedos é outro fator influenciador.

Numa zona montanhosa, por exemplo, a inclinação afeta diretamente a forma como a água é drenada quando chove e como o sol incide nas vinhas.

Consoante o relevo do terreno também os ventos circulam de forma diferente e a proximidade dos rios ou do mar afetam o próprio clima, a humidade e o solo.

4.

Práticas Tradicionais

As práticas tradicionais de cultivo da vinha e de vinificação podem contribuir para o terroir de um vinho. A plantação, o método de condução da videira, as podas, a escolha das castas e os métodos de vinificação adotados são determinantes.

E é a combinação destes quatro fatores que compõe o tão aclamado terroir.

Todos estes elementos devem ser entendidos pelo viticultor e pelo enólogo para que o vinho expresse a originalidade, singularidade e caráter de onde é originário. É isso que distingue um bom vinho no mundo – “um bom vinho deverá deixar falar o terroir.

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