Também designados de Brancos de Curtimenta, Vinhos Âmbar ou Vinhos de Maceração Pelicular são atualmente uma tendência muito desafiadora mas, estão muito longe de ser uma moda.
Aliás, estes “Vinhos Laranja” são fruto de um processo ancestral de vinificação que durante o século XX foi sendo esquecido mas voltou a ser reavivado no início deste século e, ainda bem.
São produzidos através de técnicas de vinificação natural em que os vinhos brancos são efetuados como se fossem tintos, ou seja, as películas são deixadas a fermentar com o suco de uma forma natural, criando um vinho de uma cor que pode ir do amarelo dourado até a uma magnífica cor âmbar brilhante, daí terem sido chamados de Orange.
Devido à oxidação estes vinhos brancos de curtimenta têm um sabor diferente dos vinhos brancos convencionais. É difícil caracterizar de uma forma generalizada o sabor dos Orange Wines, uma vez que podem ser efetuados com uma variedade grande de castas, no entanto, devido ao contacto com as películas, o nível de taninos é maior do que nos vinhos brancos tornando-os mais desafiadores e complexos, mas mantendo as qualidades refrescantes de um branco.
Na uva os taninos encontram-se presentes nas grainhas, no engaço e principalmente na casca que é muita rica neste componente. Como os vinhos brancos têm pouco contacto com as películas, os taninos quase não estão presentes, ou não estão presentes de todo.
Ora, os Orange Wines são vinhos de maceração pelicular por isso os taninos tornam estes vinhos mais intensos, estruturados, envolventes, e complexos ganhando por vezes notas de frutos secos apesar da sua componente mais fresca e frutada.
Estes vinhos enquadram-se nos chamados vinhos naturais exatamente porque o seu processo de vinificação é “natural”, isto é, privilegia práticas pouco interventivas minimizando o uso de aditivos e incluindo por vezes a não filtração.
Se conhece estes vinhos já percebeu que muitos são turvos resultado dessa não filtração.
Se não gostar do seu aspeto nublado pode sempre decantá-los mas saiba que o que dá esse aspeto turvo são sedimentos de uvas e leveduras que sobraram da fermentação e que não alteram em nada o sabor desses vinhos tornando-os mais “funky”.
Harmonizações
Em termos de harmonizações ligam bem com pratos mais estruturados e intensos como os pratos da cozinha tradicional portuguesa.
Um orange wine de maceração mais curta e menos tânico também pode acompanhar bem alguns pratos asiáticos: um caril tailandês equilibrado e com um perfil aromático rico – com leite de coco, gengibre e ervas frescas – ou os alimentos fermentados, como o tradicional kimchi, cuja acidez elevada complementa muito bem a boa acidez destes vinhos (harmonização por similaridade).
As tagines marroquinas funcionam muito bem, especialmente aquelas que levam especiarias suaves e frutas secas (tâmaras, damascos, ameixas, amêndoas, avelãs) pois a sua doçura natural combina com a leve oxidação e os aromas destes vinhos cuja estrutura também ajuda a equilibrar a untuosidade deste prato. As tradicionais tagines de frango com azeitonas e limão em conserva também são outro bom par (gordura/acidez).
Queijos intensos ou curados são ótimos para harmonizar com as notas oxidativas, os taninos suaves e a boa acidez dos orange wines.