Enologia: Constantino Ramos
Vinhas com elevada densidade de plantação, com enrelvamento permanente e sem recurso a herbicidas. Foco no equilíbrio vegetativo e na preservação da vida do solo.
Em Ponte de Lima, no coração do Vale do Lima, berço da casta Loureiro, a Casa de Nabais é uma quinta minhota histórica onde o vinho nasce do conhecimento da terra, da observação da vinha e de uma produção cuidada, feita em pequena escala.
O Solo Como Origem
Na Casa de Nabais, compreender o solo vai muito além de identificar o tipo de rocha. Importa perceber a forma como gere a água, disponibiliza nutrientes e influencia o equilíbrio da videira.
Solos graníticos, de xisto e perfis mistos são estudados em profundidade e orientam decisões fundamentais na vinha, desde a escolha do porta-enxerto à forma de condução das plantas, sempre com um objetivo: criar as condições necessárias para alcançar o estilo de vinho pretendido.
A Vinha Como Campo de Estudo
As vinhas são recentes, plantadas de raiz e acompanhadas como um verdadeiro laboratório vivo. Diferentes sistemas de poda e de condução das videiras são testados, linha a linha, procurando compreender de que forma cada opção influencia o vigor, a sanidade das plantas e, sobretudo, a expressão da casta Loureiro.
É um trabalho de observação contínua, onde cada decisão procura aprofundar o conhecimento da vinha e encontrar o equilíbrio entre a planta, o lugar e o vinho.
A Casta Loureiro
A Loureiro está no centro do trabalho da Casa de Nabais. A sua frescura natural, a acidez equilibrada, a intensidade aromática e o teor alcoólico moderado são algumas das características que tornam esta casta particularmente interessante e explicam a crescente atenção que tem vindo a despertar.
No Vale do Lima, onde se situa a Casa de Nabais e onde a Loureiro encontra uma das suas expressões mais marcantes, estudam o comportamento da casta em diferentes solos — desde o granito, predominante na região, até um raro veio de xisto que atravessa uma das suas vinhas. Observam também a influência das diferentes exposições e dos sistemas de condução da videira, procurando compreender e potenciar as características próprias da casta.
Viticultura Integrada
A Casa de Nabais segue um regime de produção integrada, sem recurso a herbicidas, evoluindo progressivamente para práticas de agricultura regenerativa.
O enrelvamento das vinhas com espécies autóctones permite controlar naturalmente as infestantes, promover a biodiversidade e contribuir para a regulação do vigor das videiras. A vinha é entendida como um ecossistema, onde o equilíbrio do conjunto é determinante para a qualidade das uvas.
A Vinificação
Todo o trabalho desenvolvido na vinha procura criar uvas equilibradas e com identidade, capazes de chegar à adega exigindo o mínimo de intervenção possível.
A vinificação é realizada em pequenos depósitos, permitindo trabalhar separadamente as diferentes parcelas e acompanhar cada lote com grande precisão. Esta abordagem permite perceber de que forma fatores como o solo, as práticas vitícolas e o rendimento de cada parcela se refletem na expressão final do vinho.
Mais do que impor um estilo na adega, o objetivo é preservar e interpretar aquilo que cada parcela e cada vindima têm para revelar.
A Adega
A adega foi pensada para trabalhar com precisão e com o mínimo impacto possível sobre o vinho. Uma escala pequena permite acompanhar de perto cada lote e respeitar as particularidades de cada parcela.
A vinificação recorre a prensa pneumática de baixa pressão, para uma extração delicada; depósitos de inox com controlo rigoroso de temperatura; cubas de cimento, que permitem uma micro-oxigenação suave; e vinificações separadas, parcela a parcela. O trabalho sobre borras finas é realizado através de bâtonnage manual.
Produzir em escala humana permite uma atenção ao detalhe difícil de alcançar numa produção de dimensão industrial.
Constantino Ramos | Enólogo
Ligado à Região dos Vinhos Verdes há quase 15 anos, Constantino Ramos tem vindo a construir uma relação profunda com a vinha e, em particular, com a casta Loureiro.
Acredita que o vinho começa como uma ideia e ganha forma através da paciência, da observação e do respeito pela natureza. Acompanha cada parcela como um ecossistema vivo e defende que a intervenção humana deve acontecer apenas quando contribui para preservar o equilíbrio, a frescura e a identidade do vinho.
O seu trabalho começa no campo, muito antes da vindima. É aí que observa, experimenta e toma grande parte das decisões que irão determinar o vinho, encarando a colheita como o momento decisivo de um processo construído ao longo de todo o ano.
Assume-se como Vigneron, acompanhando todo o percurso da vinha ao vinho e aceitando os riscos inerentes a cada escolha. Para Constantino Ramos, cada vinho resulta do encontro entre o terroir, a casta e uma visão pessoal, procurando criar vinhos frescos, gastronómicos, com identidade e capacidade de evolução — vinhos capazes de contar, de forma autêntica, a história do lugar onde nasceram.