Um vinho varietal, também designados por monovarietal, é produzido com uma única variedade de uva ou com predominância absoluta de uma única variedade de uva.

A percentagem da variedade de uva que um vinho deve ter para ser considerado varietal, varia entre 75% a 100% consoante a legislação de cada país.

Em Portugal para ter indicação “Monovarietal” pelo menos, 85% do volume do lote deve ser proveniente de uvas colhidas da casta em causa.

Um vinho de corte também chamado, vinho de lote, assemblage (termo francês) ou blend (termo inglês), é produzido com duas ou mais variedades de uva.

As diferenças entre eles?


São duas abordagens diferentes de produzir vinho e nenhuma é superior á outra. Um vinho varietal permite-nos conhecer a expressão de determinada casta e de perceber como se comporta em diferentes terroir.

O terroir, é o que distingue cada região vinícola. Abrange as condições climáticas, constituição do solo, topografia, e práticas de viticultura e de enologia, em suma, tudo o que rodeia e influencia as uvas e a sua vinificação. 

É sempre um desafio produzir um varietal consistente ano após ano, pois a qualidade do vinho está dependente da colheita de uma única variedade de uva. Se as condições climáticas não forem favoráveis ou se ocorrer uma doença na vinha a qualidade e consistência pode ficar comprometida.

Só castas com qualidade suficiente para produzir um vinho varietal são escolhidas. Castas brancas como a Arinto, Encruzado, Malvasia, Moscatel, Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc ou castas tintas como a Tinta Toriz, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir entre outras.

Os vinhos de corte, de assemblage ou blend são vinhos de mistura ou montagem. Combinam duas ou mais variedades de uva com o objetivo de o tornar mais complexo. Não há restrições regulamentares por isso o enólogo tem toda a liberdade para se expressar e produzir um blend que evidencie as qualidades de cada uma das castas, sem que haja predominância de uma variedade. O todo tem de ser melhor do que a soma das partes.

Produzir um blend é uma arte. E, o objetivo da arte do blend é a de combinar castas de forma a acentuar as suas melhores características, originando um vinho equilibrado e harmonioso. É muito difícil dominar esta arte. Na maioria dos casos os lotes de vinhos são vinificados separadamente e, depois de envelhecidos em barrica ou colocados em tanques de inox é que são misturados.

A mistura perfeita não é uma fórmula. Nem todas as castas são compatíveis e adequadas. Há muitos estudos, análises técnicas, e provas de sabor envolvidos. E, quando encontrado o blend pretendido essa combinação pode não resultar para o ano seguinte pois as condições climáticas alteram, e o amadurecimento das uvas também vai ser diferente, originando um vinho que também não vai ter as mesmas características do ano anterior. O tempo de envelhecimento e as barricas usadas são outro fator influenciador entre muitos outros. Por isso encontrar o equilíbrio de um blend requer muitos conhecimentos e experiência.

Bordéus é a região de referência a produzir vinhos de assemblage. Os famosos tintos de Bordéus combinam Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc como castas principais e Carménère, Malbec e Petit Verdot como castas auxiliares. Os brancos de Bordéus têm como castas principais Sémillon e Sauvignon Blanc e como castas auxiliares podem ainda utilizar Muscadelle, Colombard, Merlot Blanc, Sauvignon Gris e Ugni Blanc.

O Vinho do Porto é outro dos famosos blends do mundo. Com Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Tinto Cão para os Portos tintos e Gouveio, Malvasia Fina, Moscatel Galego, Rabigato e Viosinho para os Portos brancos.

Agora que já sabe a diferença vai conseguir degustar mais conscientemente cada vinho e apreciar a arte de fazer um vinho.

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