O Bierzo está situados no noroeste da província espanhola de Leão, na região de Castela e Leão e é parte do famoso Caminho de Santiago de Compostela.
Delimitado por cadeias montanhosas entre Leão, Galiza e Astúrias é constituído por um conjunto de pequenos vales e por uma ampla depressão plana e verdejante denominada de Baixo Bierzo. A sua área total representa 18% da província de Leão.
A sua Denominação de Origem foi reconhecida em 1989 mas a sua história vinícola é milenar.
O vinho e a vinha sempre desempenharam um papel económico e cultural importante. Há registos da existência de vinha de há 2000 anos atrás e sabe-se que os romanos impulsionaram a agricultura e o cultivo da vinha, no entanto, a sua maior expansão ocorreu no período medieval especialmente através dos mosteiros cistercienses.
No final do século XIX todo este património foi devastado devido à filoxera que assolou a Europa. A sua recuperação ocorreu na primeira metade do século XX, com os bacelos americanos que se descobriu serem resistentes a esta praga.
Na década de 60 as cooperativas desempenharem um papel muito importante na produção e projeção do vinho do Bierzo e, finalmente em 1989 a riqueza vinícola do Bierzo foi oficialmente reconhecida com a criação da Denominação de Origem.
1.
O Terroir
O Bierzo tem um microclima propício à vitivinicultura graças ás montanhas que o rodeiam e que o protegem das tempestades atlânticas, originando um clima continental com influência atlântica que permite que as uvas atinjam um ponto ótimo de maturação.
A vinha caracteriza-se por um mosaico de pequenas parcelas situadas em encostas entre os 450 e os 800 metros com solos de ardósia e arenito ou de argila rica em minerais.
Todas estas características combinadas dão, aos vinhos do Bierzo, frescura, leveza e um carácter mineral muito próprio.
2.
As Castas
Mencía, Garnacha Tintorera, Godello, Doña Blanca e Palomino são as castas autorizadas para a produção de vinho D.O. Bierzo.
- Mencia é a uva tinta mais cultivada no Bierzo e representa mais de 70% dos vinhedos.
Em Portugal esta casta é conhecida como Jaen mas a sua origem é espanhola mais precisamente de Bierzo. É uma uva com baixa acidez mas com alto teor de açúcar.
Os vinhos de Mencia são muito aveludados na boca e com aromas que podem ir de frutos silvestres maduros a alcaçuz e os melhores exemplares têm capacidade de envelhecimento. - Garnacha Tintorera representa cerca de 2% das uvas cultivadas. Em Portugal é conhecida como Alicante Bouschet.
De cor intensa e grau alcoólico alto é utilizada em blend já que os vinhos D.O. têm de ter um mínimos de 70% de Mencia.
- Godello é uma casta branca desconhecida e que representa 4% dos vinhedos do Bierzo. Em Portugal é denominada de Gouveio. Produz vinhos brancos minerais, com estrutura e que evoluem muito bem com o tempo.
- Doña Blanca é uma casta branca possivelmente originária da Extremadura estendendo-se mais tarde ao longo do Caminho de Santiago até ao noroeste de Espanha. Representa cerca de 2,5% dos vinhedos do Bierzo. É uma uva que proporciona um bom paladar e um final de boca longo.
- Palomino é uma variedade branca que se pensa ter sido introduzida em Espanha pelos navegadores comerciantes gregos e representa 17% dos vinhedos cultivados no Bierzo. Em Portugal é conhecida pelo nome de Malvasia-Rei. Origina vinhos muito aromáticos.
- Para além destas castas, que são as autorizadas para os vinhos de Denominação de Origem, também são cultivadas as castas tintas Estaladiña e Merenzao e a casta branca Malvasia.
3.
Os Vinhos
- Os vinhos tintos jovens, que têm de ter um mínimo de 70% de Mencia, são aveludados, aromáticos e frutados sendo os produzidos a partir de vinhas velhas mais concentrados e complexos.
- Os tintos Crianza têm um período de envelhecimento mínimo de dois anos dos quais 6 meses são em barrica de carvalho.
- Os Reserva têm um envelhecimento mínimo de 3 anos com um mínimo de 12 meses em barrica.
- Os Grande Reserva têm um período de envelhecimento de 5 anos sendo dos quais 18 meses são em barrica.
- Os rosés D.O. têm de ser produzidos com 50% de Mencia. A sua palete de cores vai do rosa pálido ao laranja brilhante. Têm aromas a morango e framboesa e são vinhos leves e frescos.
- Os vinhos brancos do Bierzo também são leves, levemente frutados e com uma refrescante acidez.
4.
Harmonização
Os sedosos e equilibrados vinhos tintos, com o seu baixo nível de taninos, ficam bem com pratos de cogumelos, polvo, pratos de charcutaria, pizzas, paella, peru assado no forno, carnes vermelhas grelhadas, cabrito assado, cordeiro, pratos da cozinha e queijo curados, como, por exemplo, o Manchego, o Pecorino, o Emmentaler, o Cheddar, o Comté.
Os refrescantes vinhos brancos do Bierzo harmonizam com saladas, tapas, marisco, peixes gordos, pratos de aves e queijos.