Numa noite tão especial o vinho é uma presença fundamental para festejar este dia.
Conheça a história das mais icónicas e deliciosas sobremesas de Natal do mundo, experimente as nossas sugestões de harmonização e feche com chave de ouro a comemoração mais antiga da humanidade. Feliz Natal!
1. Portugal – Bolo-Rei
Embora a sua origem seja pagã atualmente a sua confeção está muito ligada ao feriado cristão de 6 de Janeiro, o Dia de Reis, que celebra a chegada dos Reis Magos a Jerusalém.
Esta tradição está também enraizada em França, Espanha e América Latina.
Segundo a tradição ibérica, é colocada uma fava seca na massa do bolo, e a pessoa que a encontrar tem de pagar o bolo.
No México é colocada uma estatueta de um bébé que simboliza Jesus, e a pessoa que o encontrar é esperada para acolher uma festa no Día de La Candelaria.
Harmonização: Porto Tawny 10 anos
Os bolos ricos em frutos secos, manteiga e levedura necessitam de um vinho complexo, intenso e com uma persistência aromática proporcional a estes frutos secos.
Um Porto Tawny 10 anos com sabores como framboesa ou mirtilos secos, canela, cravo-da-índia e caramelo é uma combinação natalícia por excelência para acompanhar uma ou duas fatias de Bolo-Rei.
2. Alemanha – Lebkuchen
Inicialmente eram bolos de mel altamente apreciados pois considerava-se que o mel tinha propriedades curativas. Mais tarde foram adicionadas especiarias para aliviar a dor de estômago e passaram a ser conhecidas como bolachas de pimenta.
Atualmente Lebkuchen é o nome genérico para uma enorme variedade de diferentes bolachas que se distinguem por ligeiras alterações nos ingredientes e especialmente pela quantidade de frutos secos utilizados.
Os ingredientes base são: avelãs, amêndoas e/ou nozes, laranja cristalizada, casca de limão, mel, farinha, açúcar e ovos. Esta massa é depois aromatizada com especiarias exóticas de todo o mundo: gengibre, canela, cravinho, anis, pimenta da Jamaica, cardamomo, coentros ou noz-moscada.
Por vezes, para diferentes sabores ou texturas, é misturado cacau, maçã assada, maçapão ou caju.
As diferentes variedades têm também diferentes formatos. Um dos mais icónicos é em forma de coração decorado com gelo e divertidas inscrições.
Harmonização: Tokaji Aszú
Este original vinho branco doce, com aromas delicados de citrinos e especiarias, notas de pêssego e mel, refrescante, suave e com uma acidez natural extremamente equilibrada vai muito bem a acompanhar estas bolachas alemãs de Natal.
3. Austrália e Nova Zelândia – Pavlova
Foi criada nos anos 20 durante a digressão que a bailarina russa Anna Pavlova fez a estes dois países. A sua criação é tema de aceso debate já que ambos os países reclamam para si a sua origem.
Harmonização: Champagne
Um elegante Champagne rosé é uma combinação triunfal para acompanhar a Pavlova de Natal.
4. Brasil – Rabanadas
Tal como acontece com muitas outras tradições natalícias, foram os Portugueses que apresentaram a Rabanada ao Brasil. O primeiro registo data do século XV e são extremamente populares na época de Natal por todo o Brasil sendo o Nordeste o principal consumidor.
Harmonização: Vinho Moscatel
Para equilibrar esta fritura de Natal coberta de açúcar e canela sugerimos um vinho doce mas com presença de acidez natural como a de um vinho Moscatel.
Um Moscatel de Setúbal, um Moscatel Roxo ou um Moscatel do Douro são um excelente pairing para celebrar este doce levado para o Brasil pelos Portugueses.
Com aromas cítricos e florais são vinhos perfumados e elegantes. Quando envelhecidos em madeira são vinhos excecionais.
5. Espanha – Tarte de Santiago
Desconhece-se a origem desta tarte, típica da região da Galiza, mas sabe-se que remonta à época medieval e que era consumida pelas famílias ricas já que na altura as amêndoas eram um bem caro e escasso.
O primeiro registo data de 1577 com o nome de Tarte Real mas foi apenas no século XIX que se popularizou. Em 1877 foi encontrado um caderno com a receita original, o que levou a que os pasteleiros da Galiza começassem a confecionar esta tarte com o nome pela qual é hoje conhecida “Tarta de Santiago”.
Ao contrário da sua origem, a história da Cruz de Santiago que adorna a tarte é bem conhecida.
Em 1924, uma confeitaria da Galiza decidiu dar à sua tarte um toque que a diferenciasse colocando um molde com o formato da Cruz da Ordem de Santiago antes de a polvilhar de açúcar em pó.
Esta iniciativa foi copiada por todos os orgulhosos pasteleiros de Santiago de Compostela ao ponto de todas as tartes exibirem a silhueta desta cruz tornando-se popular entre os peregrinos que visitavam as relíquias do santo padroeiro.
Harmonização: Porto Branco 20 Anos
Esta categoria de Porto, envelhecido em madeira, tem aromas a frutos secos, laranja cristalizada, padaria, mel e especiarias, persistente e mais fresco mais do que os Tawny da mesma idade é uma combinação divina com esta tradicional, artesanal e intensa Tarte de Amêndoa.
6. França – Tronco de Natal
É o bolo tradicional de Natal mais popular de toda a França. A sua origem remonta ao antigo povo Celta e á sua tradição de celebrar o Solstício de Inverno queimando um tronco como oferenda ao Sol para celebrar o seu regresso.
Quando a igreja católica erradicou as práticas pagãs o povo adaptou-se e manteve a tradição de outra forma. Enormes e pesados troncos eram carregados para serem queimados lentamente nas lareiras.
Nos tempos mais modernos, com a substituição das lareiras por fogões, as pessoas passaram a queimar um pequeno ramo colocado no centro da mesa rodeado por doces e guloseimas que eram depois oferecidos aos convivas.
Na década de 1870, este pequeno ramo deu lugar à criação parisiense Bûche de Noël como uma alternativa simbólica do tronco de madeira.
A decoração pode ser mais simples, utilizando apenas açúcar em pó para simular neve, ou mais luxuriante com bagas, raspas de chocolate, cogumelos de merengue e ornamentos vários feitos com fondant.
Para além da França esta doce iguaria é também uma tradicional sobremesa de Natal na Bélgica, Suíça, e várias ex-colónias francesas, tais como Canadá, Vietname e Líbano.
Harmonização: Sauternes
Estes vinhos de colheita tardia da região de Bordéus feitos predominantemente com a casta Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle são extremamente equilibrados devido à sua acidez natural elevada.
Com sabores como o do damasco, marmelo, mel, gengibre e creme de limão são uma escolha perfeita para acompanhar este Tronco de Natal.
7. Inglaterra – Pudim de Natal
É a famosa sobremesa de Natal britânica e a sua origem remonta ao século XIV. Originalmente feito com carne de vaca ou de carneiro, passas de uva, groselhas, ameixas secas, vinho e especiarias era servido como entrada.
Em 1595 transformou-se numa espécie de Pudim de Ameixa e era confecionado com ovos, pão ralado, fruta seca, cerveja e bebidas espirituosas.
As superstições e tradições associadas aos Pudins de Natal são inúmeras. Uma delas diz que o Pudim deve ser feito com 13 ingredientes para representar Jesus e os Seus Discípulos e que cada membro da família deve revezar-se para mexer o pudim com uma colher de madeira de leste a oeste, em honra da viagem dos três Reis Magos nessa direção.
O ramo decorativo de azevinho no topo do pudim é uma lembrança da Coroa de Espinhos que Jesus usava quando foi morto, e na Idade Média acreditava-se que o ramo de azevinho trazia boa sorte e tinha poderes curativos.
Por vezes o Pudim é flambeado com Brandy ou outra bebida alcoólica dizendo-se que representa o poder e o amor de Jesus. Colocar uma moeda de prata é outra tradição antiga que se diz trazer sorte à pessoa que a encontrar e que inicialmente era um feijão seco ou uma ervilha.
No passado, era embrulhada num pano ficando em forma de bola de canhão daí este Pudim ser muitas vezes assim designado especialmente quando fica mais pesado. É frequentemente emparelhado com manteiga de brandy, molho de brandy, creme de leite ou molho de limão.
Harmonização: Porto Tawny 20 Anos
Um Porto Tawny 20 anos evoluído e intenso com os seus sabores especiados de frutos secos, ameixas secas, tâmaras ou figos, caramelo, baunilha, canela, raspa de laranja, e notas de madeira é o pairing por excelência com o Pudim de Natal Inglês ele mesmo com sabores intensos de frutos secos e especiarias.
8. Itália – Panettone
Há muitas histórias associadas à origem deste bolo doce italiano recheado com passas e cascas de laranja e limão cristalizadas tradicionalmente apreciado no Natal e outrora exclusivo da cidade de Milão. Como era feito com muita manteiga, mel e passas era conhecido como Panettone del Ton, que significa no dialeto milanês, o pão de luxo.
Como a sua amada era de classe baixa, Ugheto via a sua perspetiva de casar com Adalgisa bastante remota. Com a invenção desta iguaria as vendas do pai de Adalgisa aumentarem assim como a sua riqueza e o seu estatuto. Desta forma foi possível realizar o casamento do apaixonado casal.
Harmonização: Vinho Madeira Bual
Este Madeira meio doce, com um bouquet intenso e complexo a frutos secos, com notas de baunilha e madeira não deixa ninguém indiferente. É espetacular com um bolo de massa doce com fruta cristalizada como o Panettone.
9. Jamaica – Bolo Preto
Também conhecido por Bolo de Frutos, Bolo de Rum ou Bolo de Natal é um bolo rico e escuro de frutos embebidos em rum.
Pensa-se que teve origem nos colonos britânicos que se instalaram nas ilhas durante o século XVIII trazendo consigo receitas de pudins de fruta cozida.
Os ilhéus adaptaram estas receitas adicionando ingredientes e licores locais e dando vida ao atual bolo de rum que reflete centenas de anos de história.
O que dá a cor preta a este bolo é o açúcar queimado – conhecido como “dourado” – derramado segundos antes do bolo ir para o forno, dando à sobremesa a sua cor escura distinta e rica.
A confeção deste bolo não é exclusiva da Jamaica e estende-se a todas as ilhas caribenhas que não dispensam esta tradicional iguaria.
Harmonização: Vinho de Carcavelos
Este bolo rico e opulento fica bem com um vinho também ele opulento e complexo.
Um pairing entre esta histórica sobremesa das Caraíbas com um secular vinho doce da mais pequena região demarcada de Portugal é uma escolha muito especial.
Um Carcavelos envelhecido em barrica com aromas a frutos secos e especiarias e um excecional equilíbrio entre doçura e acidez é uma experiência que não vai esquecer.
10. Polónia – Makowiec
Ninguém sabe quem a inventou mas é o doce mais popular de toda a Polónia e presença indispensável na época de Natal.
Amêndoas, mel e casca de laranja podem ser adicionadas a fim de realçar sabores. Dizem que quanto mais recheio melhor. Aliás, uma das características desta torta é ter uma camada fina de massa e uma camada grossa de recheio.
Makowiec pode ser encontrado por toda a Europa Central, em países como Áustria, Croácia, República Checa, Alemanha, Hungria, Eslováquia, Eslovénia, Roménia e Sérvia.
Harmonização: Riesling
Um Riesling seco ou meio-seco é uma agradável combinação para esta torta de sementes de popoila. Extremamente aromáticos e com alta acidez equilibram muito bem esta doce iguaria polaca.